Segunda Guerra Mundial. Agentes especiais das forças australianas saltam de pára-quedas em uma parte da ilha de Bornéu ocupada pelos japoneses, com a missão de organizar a resistência local. Lá chegando são ajudados por um desertor da marinha britânica que se tornara o rei dos muruts, um povo nativo.
O adeus ao Rei -
Pierre Schoendoerfer
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"O Adeus ao Rei" é um daqueles livros que envolve guerra de maneira implacável. Conta com uma narrativa não muito longa, mas que se mostra bastante enigmática e profunda. A história é narrada por um personagem cujo nome não é relatado (por esse motivo, qualquer referência que eu fizer a ele será pelo título de "capitão"). A trama do livro é conduzida pelo relato do capitão que lutou na segunda guerra mundial nas regiões da Ilha de Bórneu. Seu objetivo nesse lugar era infiltrar por detrás das fronteiras inimigas, estudar a geografia local, a movimentação do exército adversário, bem como traçar estratégias para que futuramente seus aliados atacassem e retomassem o controle depois de expulsarem os japoneses daquela região. A história tem início por meio de um prólogo relatando que logo no primeiro ano da segunda guerra mundial, em 1939, um navio inglês naufraga na ilha dominada pelos japoneses e os sobreviventes se veem obrigados a tomar uma decisão: viverem por si mesmos ou se entregarem como prisioneiros para o exército nipônico. Com a exceção de um único combatente, todos resolvem se render aos japoneses temendo uma morte lenta e dolorosa caso fossem "tentar a sorte" na densa floresta. Learoyd, o único a não tomar essa decisão, vai contra toda a sã consciência dos demais combatentes e resolve seguir seu rumo adentrando a perigosa floresta de Bórneu. Depois de algum tempo vivendo dentro dessa floresta, Learoyd encontra um povo nativo, os Muruts, que o acolhe e lhe dá alimentação e abrigo. Com o passar do tempo, Learoyd ganha a confiança e a lealdade desse povo e, devido à alguns acontecimentos importantes, se torna um rei murut. Ass As vidas do capitão e do Rei Learoyd se cruzam no ano de 1943 quando o capitão (como dito anteriormente) se desloca para a ilha com o objetivo de realizar sua missão e, a partir desse momento, dá-se o segmento do restante da trama. É um livro muito profundo, enigmático e reflexivo. Em diversos trechos o narrador se pega refletindo sobre suas escolhas, sobre seus desejos e suas aspirações. Idealizações são, diversas vezes, colocadas diante do leitor com o objetivo de fazê-lo refletir e questionar. O Adeus ao Rei é um livro que permite visualizar o ser humano em seu pior estado natural, suas ambições, seu orgulho e suas mazelas... Em um determinado momento da história, o capitão fala sobre a fuga do ser humano. Conta a história de seu pai, de seu parceiro militar na missão, de seu superior. O que há de comum em todas elas é a fuga: fuga dos problemas por meio de idealizações, vícios ou até mesmo a própria morte... É última análise, a história relata a fuga do próprio capitão quando ele mesmo decide adentrar o mundo do Rei Louco Learoyd. Ele estava lá, em território inimigo, envolto numa guerra sangrenta, cujo objetivo era esquadrinhar todo território adversário para que o desfecho desse combate fosse favorável aos seus aliados, no qual o sangue inimigo daria oportunidade para a vitória. No entanto, o capitão se vê em um mundo fantasioso do grande monarca murut, cheio de regalias, prerrogativas e conforto. Ele deveria tomar uma decisão: se deixar levar pelo atrativo da vida de monarca em que estava Learoyd ou retornar para a realidade a qual estava inserido. É uma leitura que nos faz enxergar que às vezes precisamos dizer "adeus ao rei", se libertar das idealizações exageradas e encarar a realidade como ela é: nua e crua.
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