A Relíquia (Coleção Prestígio) -

    Eça de Queirós, Eça de Queiroz

    Ediouro / Tecnoprint S. A.
    1988
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Teodorico fica órfão cedo e vai morar em Lisboa com a tia Patrocínia, dona de incalculável fortuna, devota que tem horror às coisas mundanas. E para andar em amores com Adélia, o rapaz tem de fazer-se de sonso ante a vigilância da tia. Sonha com Paris, mas a tia só vê perdições naquela cidade. Ela sugere-lhe uma viagem à Terra Santa, pedindo-lhe que traga uma relíquia dos sagrados lugares. Lá se vai ele feliz, projetando mil delícias em todo o trajeto. Tem, no entanto, de arranjar a relíquia solicitada pela tia. E aí é que mais uma vez Eça se serve das tintas da ironia para chegar a um fim que deleita o leitor. obs.:Está ediçao faz parte da Coleção Prestígio CV-1475. É um livro de bolso. As ilustrações e notas são de Augusto Pissarra. obs.2: Não há informação sobre o ano da edição, é uma estimativa!

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    Israel de Oliveira Costa picture
    Israel de Oliveira Costa17/10/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Nada deixa a desejar

    A Relíquia (1887), de Eça de Queirós, narra as aventuras de Teodorico Raposo, cuja vida começa de forma tranquila até a morte de seus pais, que o deixa sob os cuidados de sua tia, Dona Patrocínio. Dona de uma considerável fortuna e profundamente católica, a tia exerce enorme influência sobre o sobrinho, e Teodorico logo se vê preso entre dois mundos: de um lado, o desejo de desfrutar os prazeres mundanos, e de outro, a necessidade de fingir uma devoção religiosa constrangedora para agradá-la. Eça de Queirós constrói a trama com seu característico humor fino, ácido e sagaz, apresentando diversas situações cômicas em que Teodorico se envolve, quase sempre em busca de aventuras amorosas, mas constantemente temendo que sua tia descubra suas traquinagens e o deserde. A narrativa ganha força quando Teodorico decide viajar para Jerusalém, a mando de Dona Patrocínio, com a missão de trazer de lá uma relíquia sagrada. Sua esperança é impressionar a tia e garantir a tão desejada herança. Durante sua viagem à Terra Santa, o leitor é presenteado com uma demonstração magistral do talento de Eça para o realismo fantástico. Teodorico é transportado para o cenário da crucificação de Cristo, onde se torna uma espécie de testemunha dos eventos, desde o julgamento até a ressurreição. Essa passagem da obra é repleta de ponderações históricas e críticas sutis, em que o autor apresenta sua própria visão dos acontecimentos bíblicos. A mudança no tom narrativo lembra obras como O Mestre e Margarida (1967), de Mikhail Bulgákov, e Três Contos (1877), de Gustave Flaubert, que também mesclam história e ficção com maestria. O desfecho é hilário e inesperado, quando Teodorico retorna a Lisboa carregando relíquias sagradas em sua mala, apenas para enfrentar uma reviravolta que encerra a trama de forma brilhante. A Relíquia confirma o lugar de Eça de Queirós entre os maiores autores da literatura mundial, estando à altura de suas obras mais consagradas, como O Crime do Padre Amaro (1875), O Primo Basílio (1878), Os Maias (1888) e A Cidade e as Serras (1901). Leitura recomendada para quem aprecia um clássico repleto de ironia, crítica social e toques de fantasia. Nota: 4/5

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