As aventuras de Simbad, o marujo é uma das histórias das célebres As 1001 noites. Esta lenda milenar, que aplica a ancestral cultura da “história em cadeia”, utilizada remotamente pelos árabes, tem sua autoria e época controvertidas. Acredita-se que sua origem seja o século XI. Entre o mundo multifacetado de As 1001 noites, temos ainda Ali Babá e os 40 ladrões, Aladim e a lâmpada maravilhosa, entre tantas outras lendas célebres conhecidas em todos os lugares do mundo. Sendo absolutamente independentes entre si, e tendo como fio condutor o imenso esforço de Sherazade em sobreviver dia após dia com sua infinita narrativa, a coleção L&PM POCKET publicará os contos mais conhecidos deste imenso e célebre relato.
As Aventuras de Simbad, o Marujo - Histórias das 1001 Noites
Mil e Uma Noites
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Logo de início, a primeira percepção que tive foi a semelhança com a Odisséia. Não é a mesma coisa, nem de longe. Mas de forma alguma se obscurece o seu mérito. Pelo contrário, agrega em inúmeros outros pontos. Um deles é a óbvia noção de um indivíduo dentro de um sistema econômico, sobrepujado pelo poder do capital, do valor atribuído aos insumos, da capacidade de livre comércio e que tudo isso dita a posição social desses indivíduos, incluindo a possibilidade de ascensão ou recuo nessas posições. Com Homero temos uma pincelada de palácios, tesouros e propriedades, sem que isso seja focalizado. Em Simbad, é escancarado. É mais perto da "realidade". A Odisséia trata dos problemas da alma. Simbad vem com as dores do cotidiano - sem que isso inutilize sua literatura em prol de analogias mais sublimes. A ficção se faz presente constantemente, alinhada com a também constante presença dos animais selvagens. Que, inclusive, são a própria ficção, salvo os Gigantes, o Anticristo e os pigmeus. Aqui mora a simbologia - para mim, mais que isso. Me recuso a desacreditar no que é mágico, espetacular, inacreditável. Creio que tudo isso pode sim ter sido real - pelo menos para alguém. E, se Simbad procura ser "uma odisseia pé no chão", a selvageria nada mais é que os perigos que qualquer um de nós passa todo santo dia. Os perrengues da cidade grande, os conflitos sociais, as más relações conjugais. É um conto de lições morais, de fácil assimilação, divertido. Não é um poema de cinco mil e setecentos versos, milimetricamente pensados rsrs. Em uma das partes do conto, Simbad precisa sobreviver (como sempre) e, para tal, precisa praticar o homicídio. Oras bolas, a manutenção da vida em situações críticas é algo inerte em todo ser vivo. Li algumas das resenhas antes de escrever, acho uma tarefa que soma à interpretação, ajuda a dar uma refrescada na memória. E pontos de vistas contrários são bem-vindos. Essa parte, e essa visão, sustentou minha opinião de quão próximo Simbad é do cidadão comum. Odisséia culmina na violência; deixa claro a sua importância. Seja violento contra os vícios. Simbad realiza a violência das necessidades fisiológicas, do desespero em querer continuar vivo mais um segundo. Entre um e outro, nós escolhemos a nós mesmos. Virtudes estão presentes fora do senso de perigo iminente. A maioria não nasce herói. Ainda assim, a virtude da caridade está presente em toda viagem do desgraçado. E por que não pensar na própria oradora, Sherazade? Que pratica a caridade de mil e uma noites salvando mil e uma virgens. Enfim, acho que há muito, muito mais para se levantar. Livro pequeno e rápido, em um dia dá pra finalizar.
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