A Grande Mortandade - Uma História Íntima da Peste Negra

    John Kelly

    Bertrand Brasil
    2011
    420 páginas
    14h 0m
    ISBN-13: 9788528614763
    Português Brasileiro

    O pior desastre natural da história da Europa, aquilo que chamamos de Peste Negra, e que a geração que a vivenciou chamara de A Grande Mortandade. A peste medieval, no entanto, foi mais do que apenas uma catástrofe européia. Dos movimentados portos do Mar da China às vilas pesqueiras da costa da Groenlândia, praticamente não houve região da Eurásia que tenha escapado à ira da pestilência medieval. Juntamente com as pessoas, morreram cães, gatos, galinhas, carneiros, bois, vacas e camelos. A Grande Mortandade é a instigante narrativa de John Kelly sobre a peste medieval, partindo de suas origens nas desoladas estepes da Ásia Central varridas pelo vento até sua jornada pelas populosas cidades da Europa. Esta obra sem precedentes traça um painel fulgurante do que parecia ser, por volta de 1348 e 1349, o fim do mundo: corpos empilhados aos montes em valas comuns, carroças de coleta serpenteando pelas ruas no início da manhã para recolher os mortos, grupos de pessoas desesperadas agachadas em torno de latrinas e esgotos, inalando vapores tóxicos na esperança de se imunizar contra a peste, crianças abandonando seus pais contaminados, e pais, a seus filhos. Conhecida também como Peste Bubônica, ela dizimou cerca de 50 milhões de pessoas, ou seja, um terço da população europeia. Em algumas cidades, a taxa de mortalidade foi quase 100%. Um livro tocante sobre um dos episódios em que a humanidade esteve mais ameaçada de extinção. De acordo com Kelly, somente a Segunda Guerra Mundial causou um impacto maior de destruição, sofrimento e morte na Humanidade. O livro também examina novas teorias sobre a causa da pandemia e avalia por que alguns cientistas e historiadores acreditam que a Peste Negra foi um surto não de peste bubônica, mas de outra doença contagiosa — talvez o antrax ou uma doença parecida com o ebola. Por meio de uma análise científica metódica e moderna, além de uma evocativa descrição da Medicina, da superstição e do fanatismo medievais, A Grande Mortandade alcança um ar de proximidade, autenticidade e intimidade nunca visto na literatura a respeito da peste.

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    João Soares22/08/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma história íntima da Peste negra,a pandemia mais devastadora de todos os tempos.

    O autor John Kelly narra com detalhes,a devastação causada pela Peste Negra no século XIV. A Peste Negra,como ficou conhecida é causada pelo bacilo "Yersinia pestis". Contagiosa ao extremo,os sintomas básicos da doença eram os bubões(caroço ou inchaço),febre, manchas negras pelo corpo e um mau cheiro terrível. Segundo o autor,a doença tem sua origem entre os ratos e as marmotas. O caos se instalava junto com a doença.Pais abandonavam filhos,filhos abandonavam pais,não havia mais a caridade.A doença levou à morte em alguns lugares 60% dos habitantes. O autor traçou uma rota feita pela Peste Negra durante três anos.A devastação causada pela doença é impressionante.Acredita-se que há outras epidemias que tomaram carona junto com a Peste Negra,tais como varíola,antrax e outras,por isso tão grande a taxa de mortalidade durante essa época. A Peste Negra não fazia distinção das vítimas.Ricos,pobres,animais(cães,gatos,aves). O livro é muito interessante.Não é só um estudo da Peste Negra mas também uma aula de História sobre o século XIV.Com os fatos narrados por John Kelly dá pra se ter uma noção de como era a vida nesse século.A maneira como as pessoas viviam,o que comiam,seus hábitos de higiene,como funcionavam as leis,a medicina ,enfim uma aula de como era a vida das pessoas nessa época. A simplicidade e a ignorância da época são impressionantes.Algumas coisas me fizeram rir de tão absurdas que eram. "O bispo sueco Bengt Knutsson,por exemplo recomendava que se evitassem o sexo e o banho por que onde os corpos tem os poros abertos,como no caso dos homens que se entregam às mulheres ou se banham com frequência,estão mais propensos à doença." "Já o muçulmano Ibn Khatimah recomendava sangrias regulares para purgar o excesso de calor.Também devia ser evitado ou praticado com moderação exercícios físicos." "Os Mestres de Paris incitavam as pessoas a evitarem os acidentes da alma.Deveriam ser especialmente evitados o medo,a preocupação,o choro(???),falar mal dos outros(?!!),a meditação excessiva e a ira." "Adequada,na opinião de Ibn Khatimah era a estupidez,que diminuía o risco da pestilência;inadequada era a inteligência,que o aumentava." Essas eram algumas das recomendações ,para se evitar a doença da Peste.Quando se lê algo assim descrito a única coisa a fazer é rir ou agradecer por não ter vivido numa época dessa. A Igreja em meio ao caos da Peste Negra sugeria que era o Apocalipse,o castigo dos céus para a humanidade corrompida.O absurdo narrado pelo autor me deixou sem palavras. "Preocupada com os corpos não enterrados,infectando o ar e portanto espalhando a peste,os leigos quiseram cavar uma vala comum fora da cidade;mas o clero resistiu.A vala comum ficaria em solo não consagrado e as pessoas enterradas nesse solo poderia ser relegadas no Dia da Ressurreição.Em 19 de janeiro o bispo Edendon tentou abrandar o descontentamento popular a respeito da oposição da Igreja quanto aos enterros com uma declaração.Havia boas novas,declarou o bispo.O Sumo Pontífice havia em função da iminente grande mortandade,concedido a todas as pessoas da diocese uma indulgência plenária no momento da morte caso partissem de boa-fé." Ou seja,nem dá pra comentar algo assim.Dá até arrepios.Assusta mais do que as imagens da Peste ou da Morte criada pelos artistas durante a Peste Negra. Dá pra ficar chocado com algumas coisas descritas no livro.Segundo o autor,grande parte das pessoas ficavam infectados com a Peste por que não tomavam banho.Segundo o autor havia um frade que se orgulhava de estar sem tomar banho e trocar de roupas há mais de três meses.Parece que higiene pessoal não era um hábito adotado pelas pessoas da época.pior,tomar banho,ser limpo era considerado excesso de vaidade.(!!!??). O que também me impressionou foi o fato de os judeus terem sido acusados de serem os causadores da Peste.Diziam que eles eram também os culpados pela doença.Como se já não bastasse a Peste para enfrentar,os judeus também caíram em desgraça.Segundo o autor pode ter morrido na época morreram mais judeus assassinados do que infectados pela Peste.Alguns lugares chegaram a criar leis para exterminar os judeus,ou para acusa-los de terem tramado para espalhar a doença. "Em nome do louvor e da honra de Deus e do bem da cristandade,o Landgrave(nobre que na Alemanha,tinha jurisdição sobre uma grande área) advertiu o conselho municipal,queimem os judeus imediatamente." "E assim em um ano todos os judeus entre Colônia e a Áustria foram queimados" Impressionante o que as pessoas são capazes de fazer.Se nem mesmo durante uma epidemia como essa onde todos deveriam se unir o ser humano age com discernimento e justiça o que esperar do mundo? .Demorei pra terminar por que quis ir lendo aos poucos,pra dar tempo de digerir bem a leitura,já que se trata de um tema mórbido e pesado.Mas é leitura de primeira e pra quem gosta desse tipo de assunto é essencial ler esse livro. O que me incomodou um pouco foram as mais de setenta páginas finais,gastas com notas das quais eu não entendi nada e o índice.Mas nada que tire o prazer da leitura de um livro tão bom. Leitura excelente!

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