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    Nam Van - Contos de Macau

    Henrique de Senna Fernandes

    Gryphus Editora
    2008
    138 páginas
    4h 36m
    ISBN-13: 9788560610174
    Português Brasileiro
    4
    4 avaliações
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    Favoritos1Desejados6Avaliaram4

    Lançado originalmente em 1978, este é o primeiro livro escrito por Henrique de Senna Fernandes. A obra reúne seis contos que reconstituem o ambiente humano, histórico e geográfico da mais oriental das conquistas portuguesas. "Nam Van" é também o nome chinês da Praia Grande, em Macau, considerada centro da vida administrativa e social da cidade e zona residencial preferida de seus moradores, onde o escritor nasceu e viveu. "A Praia Grande, com a paisagem antiga dos seus juncos e a odisséia dos seus lorcheiros heróicos e aventureiros, inspirou-me os primeiros escritos e embalou-me os sonhos incipientes de escritor. A Praia Grande alimentou o fundo da minha sensibilidade e imaginação, com a nostalgia dos seus crepúsculos e a tristeza das suas neblinas de inverno", descreve o autor na apresentação do livro. Em "A-Chan: a tancareira", escrito em Coimbra em 1950, Fernandes fala sobre a difícil integração entre os nativos chineses e a sociedade desenvolvida à parte pelos estrangeiros ocidentais. O conto narra a história da condutora de tancar, A-Chan, vendida aos seis anos pelos pais e levada à cidade branca dos portugueses. A personagem se envolve com um marinheiro português, a quem chama de "Cou-Lou" (homem alto) e com quem tem uma filha, Mei-Lai. O regresso do marujo, entretanto, impõe a A-Chan a dura realidade de aceitação de sua filha - que herda os costumes ocidentais do pai - na fechada comunidade chinesa. "Uma pesca ao largo de Macau" reproduz o dia-a-dia de uma pacata cidade e descreve, pontuando os ritmos, a paisagem e os sons locais, como no trecho: "A Rua da Praia Grande era a artéria chique, onde residia a gente mais abastada do tempo. Ao cair da tarde, os dandies percorriam-na, caracolando os seus alazões ou a pé, até ao Passeio Público que era o Jardim de S. Francisco, na época, um jardim fechado e muito frondoso, cumprimentando e derriçando as donzelas que vinham de cadeirinha, acompanhadas dos papás circunspectos ou da inevitável chaperone". Como o próprio autor define no texto de introdução, "Nam-Van" é já no título uma evocação a Macau.

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    Shirlei M. Mello picture
    Shirlei M. Mello08/12/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Um livro de contos diferente do q normalmente se espera de contos. Um livromto bom q precisa não só ser descoberto pelos leitores 'como tb ser degustado por eles...

    2 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 4
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas50%
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    Henrique de Senna Fernandes profile picture

    Henrique de Senna Fernandes

    Filho de uma das mais antigas e ilustres famílias de luso-descendentes de Macau, Henrique Rodrigues de Senna Fernandes teve uma vida próspera com os seus 11 irmãos até o início da Segunda Guerra Mundial, quando o pai perdeu o dinheiro da família na Bolsa de Valores de Hong Kong. Mesmo com as dificuldades que lhe iam surgindo por causa disso, ele nunca desistiu e conseguiu licenciar-se em Direito na Universidade de Coimbra, sendo seu companheiro de estudo e de casa o também macaense Carlos d'Assumpção. Voltando para Macau, ele montou um escritório e exerceu advocacia, mas apenas para conseguir independência financeira. As suas grandes paixões e vocações foram o ensino e a escrita. No campo do ensino, ele foi professor e director da Escola Comercial Pedro Nolasco. Mais tarde, ele foi presidente da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses, durante o período em que se criou a actual Escola Portuguesa de Macau. Como advogado, foi presidente da Direcção da Associação dos Advogados de Macau em 1991-1995. No campo da escrita, ele retratou o Macau antigo dos anos 30, 40 e 50, através dos seus livros publicados, nomeadamente "Nam Van - Contos de Macau", "Amor e Dedinhos de Pé", "A Trança Feiticeira" e "Mong-Há - Contos de Macau". Além do tema do Macau antigo, outros temas centrais da sua obra literária eram a mulher e o amor. Frequentemente, os seus livros envolvem as complexas relações entre as três comunidades de Macau (a chinesa, a portuguesa e a macaense) e uma relação amorosa entre uma rapariga chinesa e um rapaz macaense ou português. De algum modo, estas relações descritas nos seus livros têm paralelos com a sua vida amorosa: ele amou e casou-se com uma mulher chinesa, desafiando as convenções de uma cidade que na altura era muito conservadora. Ele deixou também três outros livros por terminar: "A Noite Nasceu em Dezembro", "O Pai das Orquídeas" e "Os Dores". Dois dos seus livros ("A Trança Feiticeira" e "Amor e Dedinhos de Pé") foram inclusivamente adaptados ao cinema. Além de escrever livros e romances, Henrique de Senna Fernandes era também um grande colaborador de vários jornais e revistas locais, tais como "A Voz de Macau", "Notícias de Macau", "O Clarim", "Gazeta Macaense", "Mosaico" (publicado pelo Círculo Cultural de Macau) e a "Revista de Cultura". Na década de 1970, colaborou também na revista "Confluência", órgão de informação da Associação para a Defesa dos Interesses de Macau (ADIM), escrevendo principalmente sobre cinema.

    3 Livros
    2 Seguidores

    Henrique de Senna Fernandes