e. e. cummings é o grande mestre do mínimo. Ele age nos átomos do poema, gerando energia a partir da fissão e fusão dos elementos mínimos, seja do verso, da palavra, do fonema ou do poema. Mas não só isso, também é um inventor no campo da linguagem, adotando processos que transcendem a poesia versificada tradicional, explorando a tipografia, o espaço da página etc.
cummings faz mais, em termos de ampliação do sentido e dos sentidos, com uma vírgula do que boa parte de seus contemporâneos consagrados não conseguiram fazer com obras de uma vida inteira. As traduções são de Augusto de Campos e são criações à parte, frutos de um trabalho que levou meio século até chegar nessa antologia de "poem(a)s".
Com isso, esta edição bilíngue, rigorosa e bem tratada reune um pouco de dois representantes do que há de mais vivo e inovador em arte poética até os dias de hoje, sem falar nos textos teóricos Augusto e Haroldo de Campos, que acompanham os poemas, e das reproduções de fotos, correspondências e provas de revisão ao final.