Do que eu li: uma obra de grande ambição literária que provocou reações intensas desde sua publicação em 1988. O livro explora temas como identidade, fé e o desafio de aceitação em uma cultura estrangeira, entrelaçando realidade e sobrenatural com um estilo repleto de simbolismo e crítica social. Os protagonistas, Gibreel Farishta e Saladin Chamcha, sobrevivem a um atentado e começam a experimentar transformações — um se torna anjo, o outro, demônio —, servindo como metáfora para o conflito interno vivido por muitos imigrantes ao tentar equilibrar raízes culturais e adaptação à nova sociedade.
Rushdie aborda questões religiosas e culturais numa narrativa que convida à reflexão, falando sobre idolatria e sacralidade, e questionando o papel da fé e da autoridade, o que lhe rendeu críticas e controvérsias. Além disso, o romance é uma poderosa crítica à experiência da imigração e do multiculturalismo, tratando da alienação, do racismo e da busca por pertencimento, temas que Rushdie apresenta com sensibilidade e profundidade.
Por outro lado, a estrutura fragmentada e não-linear do romance, somada às múltiplas subtramas e digressões, exige do leitor atenção e engajamento. Embora esta complexidade enriqueça a obra, ela pode tornar a leitura exaustiva, especialmente para aqueles que preferem uma narrativa menos labiríntica.