Tragam os elefantes de volta!
Paul Martin trata das extinções da megafauna do Pleistoceno, principalmente de mamíferos presentes na América do Norte. E vem logo com dois assuntos polêmicos: o que causou essa extinção, e como resolver o anacronismo causado por ela. A teoria com mais evidências atualmente é a de overkill: sim, ancestrais humanos foram em grande parte os responsáveis pela extinção do mamute, do mastodonte, das preguiças gigantes, gonfotérios, gliptodontes, entre outros. Através de argumentos precisos, o autor demonstra que mesmo a escassez de sítios paleontológicos é um sinal de overkill: um instante geológico dificilmente deixa marcas. De fato, é sorte possuirmos ao menos UM sítio desses. Claro que há controvérsias, todas pesadas ao longo da leitura, até extremos como Vine Deloria, antropologista que recusa-se a admitir impacto antropológico na extinção do Pleistoceno por razões religiosas. Extinções deixam "buracos" nos ecossistemas que nem sempre são preenchidos, tornando certos organismos desalojados no tempo. São os anacronismos ecológicos. Com a extinção da megafauna, em especial dos proboscídeos, muitas plantas perderam seus meios de dispersão. A solução proposta pelo autor é polêmica, mas absolutamente correta se considerado o tempo geológico: trazer espécies próximas ou de mesmo nicho de volta. Em outras palavras, elefantes e leões nos parques nacionais norte-americanos. É a chamada Ressurreição Ecológica. Terá resultados? Só o futuro dirá.
