Gantz é uma série de mangá escrita por Hiroya Oku, e serializada na revista Young Jump. A arte do mangá é feita a partir de cenários em computação gráfica, mesclados a personagens desenhados manualmente. Recebeu uma adaptação para anime de 13 episódios pelo estúdio GONZO, e uma sequência direta, intitulada Gantz Second Stage, também de 13 episódios, exibidos pela Fuji Television. No Brasil, o anime foi exibido pelo canal pago Animax em 2006, e o mangá é publicado pela Panini Comics desde 2007. Gantz conta a história do adolescente de 16 anos, Kei Kurono que morre atropelado pelo metrô junto de um amigo, Masaru Katou. Após isso os dois são transportados para uma sala para participar de um jogo sanguinário, violento e competitivo, comandado por uma "esfera negra" chamada Gantz. Apesar da série de anime possuir um fim, a série de mangá continua, sendo publicada até hoje.
Gantz (Coleção Completa) -
Hiroya Oku
64/\/72 - O purgatório nunca esteve tão agradável
"Suas vidas antigas acabaram. Eu decido como usarão suas novas vidas" E é com a épica frase da personagem (Personagem?) que dá título à série que começo esse pequeno pedaço de crítica. Criado em 2000, por Hiroya Oku, Gantz estabelece um novo patamar de fantasia gore no mundo dos mangás. Ao começo, o belíssimo e tentador enredo-esqueleto: Uma nova chance. Cativante, esperto; eu realmente descreio que, pelo menos uma única vez em sua vida, não fizera a si mesmo a típica pergunta - "O que vem depois disso tudo?"; ou, talvez, "Não seria ótimo termos uma chance de recomeçar?". Bem, penso que já se questionara coisas do gênero - e sim, seria esplêndido recomeçar sem fardos e rastros pingados de vida morta e erros. Gantz, classificando de uma forma superficial e rápida, nos põe ao conhecimento de como vem a ser essa nova chance - claramente, do modo sádico e afetado dos Mangakas ecchi. Tudo começa quando Kei Kurono, um estudante deveras às avessas (E agradeço exageradamente por isso), vê-se cara-a-cara com uma situação infortúnia - a queda de um reles morador de rua na linha do metro; bêbado, imundo, do tipo que obras conceituadas classificam da pior forma possível, esperando adversas reações dos leitores. Chega a ser cômica a cena - o pobre, desmaiado, próximo de ser atropelado por um trem expresso, sendo comentado pelas pessoas: Todas preocupadas, mas sem mover uma palha ou negar o desejo quase que instintivo de ver o que aconteceria. Todas, exceto uma. Masaru Katou, antigo amigo de infância de Kei, propõe-se a ajudar - desce nos trilhos, segura o senhor alcoolizado, com a maior boa vontade; até que se dá conta que seu ex-melhor amigo estava ali. E o chama para ajudar - Kurono, como um grandíssimo exemplo de um ser humano de verdade, relutou; hesitou até o último momento, mas acabara indo auxiliar naquela causo tão dramático. Resultado? O morador de rua fora salvo, sim. Mas os dois estudantes foram atropelados - e morreram. Mas...Será mesmo? É exatamente neste ponto, em particular, que somos capazes de perceber a belíssima poesia negra presente na obra, quando vemos os dois, que viam-se mortos, decepados por tal agressiva máquina de exorbitante velocidade, indo parar em um apartamento certamente comum, com uma esfera negra ao centro - e este, camarada, este é o tal do "Gantz". E esta, meu prezado leitor, esta é a filosofia da nova chance. Conforme os fatos são seguidos e compõem a linha temporal da história, eles descobrem que, ao morrer, algumas pessoas são enviadas ao local e recebem as instruções explícitas para executarem tarefas - matar aliens e, assim, adquirir pontos. É, eu sei; parece muito infatil ou até mesmo fútil para vosso gosto refinado - mas é justamente isso que torna tudo tão belo. Algo, de primeira vista, banal, se torna um estouro de composição e leitura. Os pontos, então, vemos sendo a passagem de volta à sua vida normal - ao atingir os cem (100), o jogador felizardo deve escolher entre três opções: Primeira, voltar para sua vida normal - e, em casos, entediante e sem sal -, perdendo a memória dos eventos acontecidos no 'jogo'; segunda, receber uma arma mais potente e, por fim, a terceira, que consiste em reviver uma pessoa que tenha morrido nas missões. Assim, as missões seguem, cada vez com novos participantes, além dos sobreviventes, em uma competição cheia de reviravoltas, surpresas e, claro, muito sangue, nudez e suspense. Gantz, em meu humilde julgamento, expressa de uma forma sadia e sábia uma fábula de um surrealismo imenso. E sem pecar; já ganha pontos aí. Além de que, como já citado, há a subliminar poesia em certos pontos - as missões, seus temas, os dilemas, os delírios, os desesperos, os conflitos. Tudo se une para compor um universo extraordinário de medo, dúvida e formação de princípios. Oku, como bom desmiolado que é, não ganhava muita moral nesse seu cenário de atuação, antes deste mangá. Ele ainda é de uma loucura própria, única - afinal, essa história tem pitadas picantes de falta de escrúpulos. Mas, o mais importante, é que ele deixa de lado o comum, para apostar em algo que abra realmente os olhos das pessoas; as personagens, reais ao extremo. Exemplos? Além de Kurono, que pouco se lixa para o que acontece ao seu redor, por mais sério que seja, temos o claro exemplo de Nishi - começou ali com cerca de treze ou quatorze anos e seu sadismo e sua ironia são tão perfeitamente acabados que, quando presenciamos-o em ação, sentimos arrepios de alegria. É, realmente, existe uma luz! Nada de heroísmo falso em um conto da atualidade. Não. O realismo dessa série espanta. E segue assim por entre esses onze anos de produção, mesmo quando a obra mudara de essência, mesmo nos casos de mortes de protagonistas. Sempre, posso afirmar, conseguimos uma leitura agradável, recompensadora e que nos dá a esperança de que a hipocrisia literal se finde de uma vez. Para Oku, meus sinceros parabéns. Para vocês, um obrigado e a recomendação dessa belíssima composição. "Vão."
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Avaliações
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