Considerado por muitos uma das melhores séries em quadrinhos que surgiram no ano passado, The Unwritten é um daqueles títulos dignos do selo Vertigo: Comercial e alternativo ao mesmo tempo. Com argumento do inglês Mike Carey (Lúcifer, Hellblazer) e arte de Peter Gross (Lúcifer, Os Livros da Magia), a série explora de uma forma interessante o fanatismo dos fãs diante da inaceptabilidade de que o personagem ou a trama adorada, na verdade, não existe realmente. Que o ator de um filme é um ator e não o personagem. Mike não chega a advogar à favor de tal distinção, mas deturpa tais conceitos derrubando a fronteira entre o real e o imaginário. Fazendo com que um personagem homônimo seja as duas coisas, nos seduzindo a ingressar em uma jornada metalingüística que provoca a reflexão sobre questões como a fama exacerbada das celebridades, e o quão real pode ser uma história de ficção.
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Mike Carey experimenta aqui uma transmutação constante de diversos estilos literários, concebendo sua história em uma parábola que ilustra o paradoxo da vida das grandes celebridades, que abriga a coexistência da glória e da tortura. Começa com uma narração despreocupada com situações melodramáticas e revelações dignas dos infames tablóides americanos, e posteriormente descreve seu plot em um thriller envolvente precedido de uma narração com elementos de aventura e mistério. As mudanças são feitas de forma extremamente suave e competente, fazendo com que o próprio andamento do enredo peça por tal oscilação.
A arte de Peter Gross não poderia ser melhor. Gross trabalhou com Gaiman em Os Livros da Magia, e curiosamente sua arte ficou atrelada à este mundo mágico que serviu de inspiração à Harry Potter. Ironicamente ele agora se encontra envolvido em outra, inspirada por sua vez nos bastidores da saga do bruxo britânico. Os desenhos conseguem se adaptar à ambos os ambientes. Quando descreve as páginas dos livros, seu estilo se aproxima de uma pintura; com traços mais soltos e cores mais foscas – excelente trabalho da dupla de coloristas Chris Chuckry e Jeanne McGee. Já no mundo real utiliza de traços mais firmes e quadros simétricos, distinguindo de forma clara os mundos exibidos na obra.
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A resenha completa pode ser lida no Ambrosia pelo link: http://www.ambrosia.com.br/2010/09/25/the-unwritten-vol-1-a-visao-turva-que-se-interpoe-entre-o-personagem-e-o-ser-humano/