Boiando em Moçambique -

    Rafael Moralez

    Balão Editorial
    2011
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-13: 9788563223043
    Português Brasileiro

    Em 2009, Rafael Moralez foi morar alguns meses em Moçambique. A partir de seu olhar irônico e espontâneo sobre os usos e costumes luso-africanos, nasceu o blog “Boiando em Moçambique”, que logo se tornou um verdadeiro sucesso tanto em terras brasileiras quanto africanas. Com seu jeito peculiar de observar os acontecimentos, conta os “causos” da viagem, reunindo ao mesmo tempo histórias divertidas mas com uma visão social da situação precária do interior de Moçambique. Ele relata histórias de bebidas e bares improvisados, animais carregados em bicicletas, a confusa situação política da região, nomes inusitados (como sr. Alface), a vida das mulheres nas comunidades, situações inesperadas (algumas um pouco assustadoras)… Tudo isso entremeado com seus comentários únicos, fotos de situações e paisagens pouco conhecidas, versos irônicos e também ilustrações do autor. O blog chamou tanta atenção que a Balão Editorial resolveu compilar essas histórias, e acrescentar algumas que tinham ficado de fora, no livro Boiando em Moçambique a ser lançado em abril de 2011.

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    Rebeca Vilela Gimenes da Silva03/01/2016Resenhou um livro
    3 (Bom)

    "O Estado não existe muito por aqui, eles resolvem na mão mesmo."

    Já tem um tempo eu ganhei esse livro em um sorteio, mas decidi ler ele junto com Terra Sonâmbula do Mia Couto para pintar um plano de fundo melhor sobre Moçambique e toda a sua cultura. O livro é uma copilação de várias postagens que o Rafael fez durante suas viagens no blog/diário de viagem "Boiando em Moçambique", que eu acho que ainda é ativo, não tenho certeza. Mas as postagens giravam sobre o seu dia no país em que ele se encontrava. No caso ele ficou cerca de cinco meses em Moçambique e relata isso em posts bem irônicos, as vezes com certo humor ácido e sem nenhuma restrição política e ideológica, mas nem por isso ele chega a ser machista ou preconceituoso como eu achei que seria ao ler as apresentações escritas pelos amigos deles, que falavam tão bem que eu cheguei a desconfiar e achar que eram uma bela puxação de saco por parte deles. Queimei minha língua e acabei indo com o Rafael, ele me pareceu alguém que poderia gerar uma boa conversa se você topa com ele, na rua por exemplo. Ele se mostrou um cara simplérrimo( nem sei se esse superlativo tá certo....), ele só precisou de uma bike, uma câmera e alguns guias, fora a lábia dele, pra conseguir mostrar o povo, o relevo e percorrer Moçambique como ele é. Ele mostrava a corrupção que havia com policiais rodoviários, o preconceito e as limitações que a mulher Moçambicana sofre, esse foi um ponto que eu parei e pensei se uma estrangeira não sofreria do mesmo jeito e o fato do Rafael ser homem ajudou ele a curtir mais a viagem. Ainda não tenho resposta pra isso. Nos livros do Mia Couto ele fala muito do período da guerra civil do país, que ele viveu e ainda registra em livros, mas o Rafael nos mostra o produto dessa guerra e como ele afeta o país onde a capital parece uma cidade do interior paulista de tão simples e sem tecnologia. Carros são raros, eles realmente andam de bike e não por um motivo ecológico como a Holanda. Em certa altura da viagem o Rafael pegou Malária(seria a Dengue deles), as escolas são extremamente precárias num ponto em que professores chegam a não receber salários do governo por problemas na distribuição das verbas. E não vou nem falar da falta de uma vigilância sanitária em alguns lugares que ele viu vender comida(pq comer lá é pedir pra morrer de dor de barriga). Rafael cansa de fazer comparações com o Brasil, e elas são fundadas, porque existem regiões como essas no Brasil, a diferença está no tamanho e que aqui temos regiões de maior concentração de renda, só isso. O Mia Couto cansa de falar que não é só o português que nos une e enumerar as semelhanças entre os países. Mais pro final do livro o Rafael já saiu da África e vai para a Tanzânia, numa lugar chamada Zanzibar( acho), um lugar perfeito pra mochileiros mesmo, precário e muito pobre, o Rafael se meteu em muita enrascada por lá( dentre elas a briga com um hoteleiro que queria roubar ele aumentando a diária combinada). E a cada fim de postagem ele coloca algum álbum ou banda que ele estava ouvindo, e eu tive a paciência(ou falta do que fazer cof, cof) de colocar numa playlist do youtube: https://www.youtube.com/playlist?list=PLaaY3bFD2_BM6SZrKRU9N_nUDFdQalMwb Enfim, o livro só me deixou com mais curiosidade de visitar Moçambique do que quando eu li Mia Couto. Vale a pena ler para entrar em uma cultura e população diferente e ao mesmo tempo bem parecida com a nossa, eu recomendaria por curiosidade de ler sobre o país num olhar diferente, descontraído, crítico na medida do irônico e divertido. Uma bela surpresa nas minhas leituras ^^d.

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