Carême - Cozinheiro dos Reis

    Ian Kelly

    Jorge Zahar
    2005
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-10: 8571108722
    Português Brasileiro

    Uma saborosa biografia que conta a história da vida de Antonin Carême, conhecido como o cozinheiro dos reis e o rei dos cozinheiros. De órfão abandonado nas ruas de Paris, Carême tornou-se o chef preferido da nobreza do século XIX. Sua fama correu a Europa, e suas criações são hoje clássicos da gastronomia internacional. Mas ele não foi apenas um grande chef - sua preocupação em registrar receitas e observações sobre o mundo das cozinhas fez dele também um grande cronista de sua época. Relatou não só os lances diplomáticos que se desenrolavam nos salões, mas também os problemas e infortúnios que afligiam os criados, numa crítica às péssimas condições de trabalho em que tinham de sobreviver - o próprio Carême morreu por envenenamento provocado pela fumaça do carvão de seus fogões. Ilustrado, o livro traz um pequeno glossário de termos da culinária e uma seleção de receitas que dão ao leitor a chance de provar os sabores e aromas das mesas reais.

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    Pauline Kisner do E. Santo27/12/2010Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Rei dos Cozinheiros

    Uma boa parte das delícias que hoje integram cozinhas de todo o Ocidente – como os suflês e o chantilly – são responsabilidade de grandes cozinheiros franceses do passado. Vatel é uma figura bastante conhecida devido ao seu suposto suicídio, decorrente da impossibilidade de executar com perfeição uma receita para Luis XIV. Mas o maior de todos os chefs do passado foi, sem sombra de dúvidas, Antonin Carême. Nascido na agitação da França Revolucionária, abandonado pelo pai ainda criança, Antonin Carême cedo se empregou como aprendiz em uma pequena confeitaria e foi construindo uma carreira sólida, quase de celebridade, baseada na sua habilidade sobrenatural de transformar a comida, sobretudo a confeitaria, numa arte sublime. Carême passou pelas principais cozinhas européias do século XIX, mas sempre foi maior do que elas. Publicou vários livros de receitas e arquitetura, onde denunciava as condições de trabalho desumanas das cozinhas dos palácios (que eram pouco iluminadas e construídas nos subsolos) e advogava em prol da higiene desses ambientes (foi ele o criador da roupa e do chapéu brancos que qualquer chef que se preze usa até hoje). Mais que isso, porém, Carême foi um artista, na medida em que considerava que a confeitaria não era simples culinária, mas um dos ramos da arquitetura – e por isso, buscava incessantemente a perfeição em suas obras. Assinado por Ian Kelly, ator britânico que viveu o chef nos palcos, “Carême: Cozinheiro dos Reis” é um livro para se ler com disponibilidade de tempo e ingredientes. Não que seja uma obra cansativa, muito pelo contrário; Kelly fez um excelente trabalho de pesquisa e narração aos descrever o trabalho de Carême, sua biografia, os ambientes e também as receitas. É por causa deles que é quase impossível ler o livro rápido. Elas são tentadoras, pulsantes, e impelem os amantes da gastronomia (histórica ou não) a tentar reproduzi-las. Além disso, o autor tomou o cuidado de reproduzir as ilustrações feitas pelo próprio Carême de suas principais criações. Para o entusiasta do século XIX, ou da culinária histórica, “Carême: Cozinheiro dos Reis”, é um presente para os sentidos. O chef passou pelas principais cozinhas nobres da Europa na primeira metade do século: os Bonaparte, os Orléans, os Romanov, os Hannover da Inglaterra, os Rothschild…todos se gabaram de ter a seu serviço o Rei dos Cozinheiros. E Carême aproveitou sua fama para editar inúmeros livros com suas receitas, algumas das quais são reproduzidas com adequação de medidas para os dias de hoje.

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