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    Produção de presença - O que o sentido não consegue transmitir

    Hans Ulrich Gumbrecht

    Contraponto
    2010
    206 páginas
    6h 52m
    ISBN-13: 9788578660314
    Português Brasileiro
    4.2
    41 avaliações
    Leram73Lendo2Querem45Relendo1Abandonos4Resenhas1
    Favoritos1Desejados45Avaliaram41

    O livro que o leitor tem em mãos parte da incômoda constatação de que o ingresso na modernidade custou aos seres humanos nada menos do que a perda do mundo. Tomado por uma irrefreável confiança nas potencialidades da razão, o sujeito moderno, o sujeito do cogito cartesiano, não se limitou a ir ao mundo em busca de objetos afeitos ao conhecimento: julgou pertinente transformar o mundo e suas coisas em objeto. Um objeto a ser constantemente inteligido e interpretado, e do qual ele próprio, o sujeito cognoscente moderno (cada vez mais desencarnado e reduzido à condição de produtor de sentido), estava, por força dos protocolos dessa nova relação, apartado. É contra esse império do sentido que Produção de presença se insurge. O livro, está visto, inscreve-se no debate mais amplo sobre a "crise da representação" e coloca o autor em diálogo direto com os principais pensadores da chamada condição pós-moderna, em especial os arautos da desconstrução. A interlocução não poderia ser mais produtiva. Ela evidencia que, se pode haver acordo quanto ao diagnóstico da crise, o mesmo não pode ser dito quanto às alternativas propostas. Pois, diferentemente dos desconstrucionistas - e aqui reside não apenas a originalidade mas também a força política de "Produção de presença" -, Hans Ulrich Gumbrecht não parece nem um pouco satisfeito com a mera dessubstancialização do mundo posta em prática por Derrida e seus epígonos. A seu juízo, limitar-se a "desconstruir" as representações do sujeito é seguro demais, cômodo demais, acadêmico demais em um mundo (ainda) imerso na crise mal resolvida da metafísica. Não: é preciso "sujar as mãos" e, contrariando o "bom gosto intelectual", procurar, não propriamente ressubstancializar o mundo, mas certamente buscar uma nova (ou seria antiga?) via de acesso a ele. Gumbrecht faz isso de modo literalmente exemplar. De uma parte, ousando (as mãos sujas...) constituir um vocabulário de conceitos "não interpretativos", aptos a dar conta da presença e de seus efeitos. De outra parte, expondo - num tom confessional que pode fazer corar a sisudez acadêmica, mas que certamente encantará uma variadíssima plêiade de leitores - modos de ser-no-mundo nos quais, em vez do sentido, prepondera a presença, esta relação necessariamente espacial e corpórea com o mundo e suas coisas. Qual o saldo dessa empreitada intelectual? Os mais variados. O principal deles, parece-me, o vislumbre da possibilidade de nos ressituarmos, consciência e corpo, no espaço do mundo. A ele, sem demora!

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    Flora Leite Freire picture
    Flora Leite Freire01/11/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Trechos que mais gostei desse livro

    "Ser é aquilo que ao mesmo tempo se revela e se oculta no acontecimento da verdade" "Não existe modo seguro de produzir momentos de intensidade" "Nunca sabemos quando ocorrerá uma epifania" "O futuro da presença necessita do nosso compromisso presente"

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    Hans Ulrich Gumbrecht

    Nasceu em Wuerzburg, na Alemanha, em 1948. É professor de literatura na Universidade de Stanford. Publicou no Brasil, entre outros livros, Modernização dos sentidos (1998, Editora 34) e Em 1926: vivendo no limite do tempo (1999, Record). Fonte: http://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02449

    11 Livros
    8 Seguidores
    Baviera, Alemanha

    Hans Ulrich Gumbrecht