Cézanne - Biografia

    Bernard Fauconnier

    L&PM
    2009
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788525419002
    Português Brasileiro

    Por que Paul Cézanne (1839-1906) tornou-se um dos maiores pintores de seu tempo? Essa pergunta dá início a premiada biografia escrita por Bernard Fauconnier, que apresenta aos leitores um relato preciso da vida deste artista controvertido que transformou e reinventou a pintura de forma drástica. Cézanne foi o fundador da arte moderna, o grande mestre criador de novos caminhos para a arte do século XX. Para Pablo Picasso, ele foi "o pai de todos nós", pois sua obra não só modificou o modo de pintar de uma época, como de toda uma geração. Em Paris, mas especialmente na Provença, Cézanne perseguiu incansavelmente a harmonia da natureza – explorando em suas obras os matizes da cores, as nuances da luz e as diferentes perspectivas. *Prêmio de biografia da Ville d'Hossegor, França, 2007*

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    Carla Parreira19/09/2024Resenhou um livro
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    Cézanne - Biografia (Bernard Fauconnier). Paul Cézanne, filho de um homem de negócios bem-sucedido e rígido, nasceu em janeiro de 1839 e cresceu em um ambiente que priorizava o sucesso material. Seu pai sonhava que ele ingressasse na aristocracia francesa, mas Cézanne tinha outros desejos, voltando-se para a pintura. Sua mãe era compreensiva, ao contrário do pai, e proporcionou um abrigo emocional. Desde a infância, Cézanne se sentia solitário, com uma amizade significativa com Émile Zola, que também enfrentava desafios familiares. A relação entre os dois se aprofundou quando Zola presenciou um incidente de bullying que Cézanne sofreu, e embora seus caminhos tenham se distanciado, a comunicação permaneceu. Cézanne lutou contra a depressão após a partida de Zola e decidiu finalmente desafiar seu pai, mudando-se para Paris para estudar arte. Sua busca por reconhecimento artístico foi acompanhada pela insistência do pai de que a arte não trazia segurança financeira. Cézanne, embora inicialmente tentasse seguir a carreira de direito para agradar ao pai, acabou se entregando à paixão pela pintura. Ele buscava uma representação mais dinâmica do mundo, observando que a percepção humana era mais complexa do que a arte tradicional representava, desenvolvendo uma nova maneira de ver objetos e paisagens. Isso o levou a explorar ângulos e perspectivas inovadoras em seu trabalho. Mesmo enfrentando críticas e incompreensão, sua visão e experimentação prepararam o caminho para movimentos artísticos que se seguiriam, como a arte abstrata e o cubismo. Sua abordagem buscava captar a vivacidade do olhar humano, refletindo uma realidade em constante movimento, o que o tornaria uma figura central na arte moderna. Cézanne buscava representar a imperfeição da natureza em sua arte, percebendo que a visão humana não captura objetos com exatidão, mas sim com um certo borrão que se funde nas curvas e nas interseções. Enquanto os impressionistas enfocavam a luz e a espontaneidade, Cézanne desejava acrescentar uma solidez às suas obras, um desejo que levou anos de ridicularização e rejeição. Mesmo entre os próprios impressionistas, suas pinturas eram frequentemente desdenhadas e ele enfrentava duras críticas ao ponto de suas obras serem ignoradas nas exposições oficiais. Com o surgimento do "salão dos rejeitados", onde artistas não aceitos podiam expor seus trabalhos, Cézanne, junto de outros como Pissarro e Monet, começou a mostrar suas criações. Zola, amigo leal, desafiou as críticas, argumentando que o júri mutilava a inovação e defendendo a individualidade artística. Ao longo do tempo, as circunstâncias em suas vidas mudaram—Zola se tornou um autor respeitado e financeiramente bem-sucedido, enquanto Cézanne lutava para ser aceito. A amizade deles teve momentos tensos, especialmente quando Cézanne se interessou por uma florista que Zola acabou casando. No entanto, mais tarde, Cézanne formou um relacionamento com Hortense, com quem teve um filho, mas o casamento formalizou-se anos depois e sem amor verdadeiro. Em 1879, sua obra "Os Jogadores de Cartas" marcou um ponto de virada em sua carreira, sendo um grande sucesso que atraía a atenção de novos artistas. Esse reconhecimento crescente começou a moldar sua reputação, mas a ironia da fama não lhe trouxe paz, uma vez que ele se sentia isolado e mal-humorado, sua própria violência se refletindo no medo que seu filho tinha dele. O ciclo de insatisfação e busca por aprovação continuou, e mesmo diante da notoriedade, Cézanne via-se como um artista rabugento, sempre em busca de um lugar no mundo artístico que o valorizasse. À medida que se aproximava da maturidade, sua complexidade emocional e artística tornava-se evidente, refletindo as tensões e as paixões que dominaram sua vida e carreira. Cézanne passou grande parte da vida distante de sua esposa e filho, mudando-se frequentemente. Nos últimos dias, ele enfrentou complicações de diabetes, doença para a qual não havia tratamento na época. Apesar de seus desejos de ver a família antes de falecer, quando sua esposa e filho receberam a notícia de que ele estava prestes a morrer, não conseguiram chegar a tempo. Cézanne faleceu em 1906, em um momento solitário, observando a porta, esperando a chegada do filho que nunca aconteceu. Sua morte ocorreu em meio a um clima de inimizade com Zola, com quem teve um relacionamento próximo ao longo da vida, mas que se deteriorou ao ponto de Zola considerar Cézanne um fracassado e se afastar. O desejo de Cézanne de se expressar artisticamente foi muitas vezes ofuscado por um profundo sentimento de solidão e insatisfação. Ele sentiu-se poderosamente só, um sentimento que expressou em uma frase sobre sua morte. Embora tenha alcançado um certo reconhecimento, essa fama não trouxe o contentamento esperado, e seu legado é marcado mais por desgostos do que pela satisfação em ter realizado seus objetivos artísticos. Assim, Cézanne deixou o mundo sem a família por perto, revelando a ironia de sua busca pela aceitação e reconhecimento na arte, que não conseguiu curar suas feridas emocionais.

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