Ao ler Antonio Skármeta, pude perceber a facilidade com que o autor consegue anexar suas belíssimas histórias em contextos históricos, em especial, por mencionar o clima chileno durante o período do golpe militar que derrubou Allende. Mesmo sendo um romance leve, ele consegue trazer o obscurantismo da ditadura de Pinochet, descrevendo de forma robusta e visceral, quase que um documento de quem vivenciou tudo isso.
O livro o carteiro e o poeta conduz, de forma quase documental, um clímax denso do período do golpe e exílio de Pablo Neruda, de uma forma até sutil, sensível e, ao mesmo tempo, profunda por conta da ambientação, que é uma característica de Skármeta, acrescentando textura, facilitando a captação contextual.
Esta obra consegue misturar ficção e história, lembrando com total fidelidade e responsabilidade o período negro do golpe de estado que ocorreu no Chile.
"Assim, a literatura, após a morte do autor, deixa atrás como legado os esboços de cenas vividas".
Antonio Skármeta
☆7/11/1940 + 15/10/2024