A partir do papel desempenhado pelo calendário lunar em sua infância e das luas em sua vida e na vida do mundo, a autora aprendeu “a desconfiar que, sobretudo na palavra falada, em contos e cantos ‘lunáticos’, esteja o grito ou o sussurro da defesa da vida de crianças, pobres e mulheres”. Mas, com a passagem da memória oral para a escrita, “o papel das mulheres foi reduzido ao mínimo. A memória das mulheres acabou sendo moldada com as formas patriarcais dos textos escritos.” Por isso, diz ela, “a partir do meu corpo ‘lunático’ de mulher, de todos os nossos corpos ‘lunáticos’ de mulheres,quero escrever contos que resgatem nossas vozes emudecidas” em forma de uma releitura de personagens da Bíblia.
