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    Cadernos de Um Caçador -

    Ivan Turguêniev

    Relógio D'Água
    2010
    187 páginas
    6h 14m
    ISBN-13: 9789896411039
    Português Brasileiro
    5
    1 avaliação
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    "Para Frank O’Connor, o livro de Turgenev intitulado Memórias de um Caçador (1852) é a melhor coletânea de contos que existe. Um século e meio após ter sido publicada, a obra permanece surpreendentemente atual, ainda que o contexto da mesma, i.e., a emancipação dos servos, tenha cedido a vez aos desastres posteriores da História russa. Os contos de Turgenev têm uma beleza extraordinária; em seu conjunto, a meu ver, são a resposta mais contundente à pergunta “Por que ler?” (sempre, é claro, à exceção de Shakespeare). Turgenev, grande admirador de Shakespeare e Cervantes, divide a humanidade (i.e., os indivíduos propensos a empreender buscas) em dois grupos: os Hamlets e os Dom Quixotes. Ele bem poderia ter acrescentado dois outros grupos, os Falstaffs e os Sancho Panças, que, juntamente com Hamlet e o Dom, formam um quarteto paradigmático da criação de tantos outros seres ficcionais." Harold Bloom - Como e Por que Ler. Em Portugal, o livro se chama Cadernos de Um Caçador e o autor tem o nome grafado como Turguénev. Bloom destaca em sua análise especialmemte os contos O Prado de Bezhin e Kasian da Bela Terra.

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    jota 1122/02/2012Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    À caça

    Harold Bloom, um dos mais importantes críticos de literatura, diz que este livro está acima de todos os livros de contos publicados até hoje. Mesmo que eu não tenha apreciado tanto assim seu Como e Por Que Ler, onde ele analisa o livro, tenho de concordar que os doze contos de Turgueniev se revestem mesmo de uma estranha beleza. Não é o caso do trecho seguinte, do conto O Prado de Béjin, eleito por Bloom como o mais belo de todos: "Era um maravilhoso dia de julho, um daqueles dias que só vêm depois de muitos dias de bom tempo. Desde o amanhecer o céu está claro, a aurora não se inflama como num incêndio, mas derrama pelo rosto do céu umas cores dóceis. O sol não é abrasador como uma onda de calor, nem vermelho turvo como na véspera de uma tempestade, mas claro e amistosamente radioso - emerge placidamente sob uma nuvem longa e estreita, derrama uma luz fresca e mergulha na sua neblina lilás." Quando Turgueniev desvia o foco de sua narrativa da natureza para a sociedade russa, notadamente para os proprietários rurais e fidalgos dedicados à caça de animais (sim, ainda havia escravos na Rússia na época em que as histórias se passam, 1852), aí nos deparamos com tipos curiosos e excêntricos, muitos deles com nomes impronunciáveis ou bizarros (para nós, que não somos russos). São, de um modo geral, contos um tanto estranhos - ou com personagens bizarros, mas que não apresentam semelhança, por exemplo, com as histórias de Guy de Maupassant. Turgueniev era amigo e apreciava os escritos de Gustave Flaubert. E também escrevia como os grandes, como provam seus romances que vieram depois: Pais e Filhos, Águas da Primavera, Primeiro Amor, etc. Lido entre 01 e 04.03.2012.

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    Ivan Serguêievitch Turguêniev

    Ivan Serguêievitch Turguêniev nasceu em Oriol, em 1818, no seio de uma família aristocrática e faleceu em 1883. Depois de estudar humanidades na Rússia e na Alemanha, abandona os planos acadêmicos para se dedicar inteiramente à literatura. Após o sucesso inicial de seus contos, Turguêniev consolida tanto o gênero do romance como a figura pública do romancista nas letras russas, em obras polêmicas como <i>Ninho de fidalgos</i> (1859) e <i>Pais e filhos</i> (1862). Abalado pela polêmica que essa última obra suscitou na Rússia - acusada de incitar o niilismo -, o autor se estabeleceu definitivamente na França, teve seus livros traduzidos e foi o primeiro escritor russo a gozar de renome em todo o Ocidente.

    55 Livros
    235 Seguidores
    Oryol Oblast, Rússia

    Ivan Serguêievitch Turguêniev