As Cinco Leis Sagradas -

    Rafael Ximenes

    AGEPEL
    2002
    108 páginas
    3h 36m
    ISBN-10: 8587693301
    Português Brasileiro

    A cena do crime era uma casa velha no entorno da cidade. A luz começava a raiar pelas telhas que faltavam e pela janela com uma cortina grossa semi aberta. No chão, com a luz batendo sobre seu rosto, estava a vítima. Havia marcas de fortes pancadas em suas costelas e em seu rosto ensanguentado. Também havia algo escrito, entalhado na carne de seu tórax e abdome. Era um símbolo estranho ao detetive.

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    Diogo Hilário15/08/2018Resenhou um livro
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    O livro "As Cinco Leis Sagradas" pode ser considerado uma novela, dado a sua extensão, e apresenta uma história simples, sobre um serial killer que baseia seus assassinatos nas Cinco Leis Sagradas legisladas por uma organização medieval do século XV. O suspense criado é razoável e constante, com seu clímax na troca de narrativa quando o assassino se apresenta como o próprio narrador. O espaço e o tempo são pouquíssimo trabalhados e, em quase toda a obra, as personagens estão ausentes de densidade psicológica( isso poderia ser explicado pela troca de narrativa que ocorre, mas não creio que foi proposital pois a quarta vítima, por exemplo, tem sua descrição psicológica apresentada em dado momento). Além disso, há furos e outros detalhes que me incomodaram. As razões para o detetive (que nem é da polícia) investigar o caso não foram esclarecidas, ele tem habilidade pra buscar a tradução de toda uma frase ouvida em latim, possui arma e silenciador e, em determinado momento, sai atirando naturalmente no vulto que ele julgou ser o assassino, e ainda entra na delegacia empurrando e dando porrada em geral, xingando o delegado e nada acontece. Talvez seja amigo de infância de toda a corporação... E a empregada da mansão? Chega um cara aleatório vestido de jardineiro(no caso, o detetive disfarçado), puxa assunto e ela já fala abertamente do assalto ocorrido, contando minuciosamente cada detalhe. Na verdade, conta até demais! Tanto que, primeiro ela diz que o cara tava encapuzado, e quando o detetive mostra a foto do sujeito, ela logo identifica este como o assaltante..."Pode isso, Arnaldo?". Outra coisa que me incomodou também foi as citações no começo de cada capítulo. Com certa frequência, elas me soaram muito mais como um capricho intelectual do autor do que um efeito de profundidade na história. O grande momento da obra é a mudança de narrativa em 3ª pessoa (narrador-observador) para 1ª pessoa (narrador-personagem), assim o o narrador se revela como o assassino e assume estar contando a história desde o início. Pra ser sincero, gostei bastante da ideia, mas ela foi falha. Se era ele, um personagem, que estava relatando desde o início, como pode saber de detalhes tão íntimos de outras personagens? Como, por exemplo: "O detetive acordou bem disposto" (p. 19); "[o detetive] teve sonhos estranhos durante a noite, fato que o levou a acordar assustado e desconfiado" (p. 31) e "A cabeça do detetive doía" (p. 65). No geral, é um livro mediano. Me satisfez lê-lo, sabendo ser de autoria de um conterrâneo, pois falta à nós goianos mais histórias dessa temática, ambientadas em território urbano. Ficaria feliz em ver Goiânia representada em ficções deste tipo.

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