Dinheiro, Saúde e Sagrado - Interfaces culturais, econômicas e religiosas à luz da psicologia analítica

    Waldemar Magaldi Filho

    Eleva Cultural
    2009
    319 páginas
    10h 38m
    ISBN-10: 8587133586
    Português Brasileiro

    A leitura deste livro possibilita o entendimento da razão pela qual o ser humano contemporâneo deixou de trocar livremente e passou a acumular, muitas vezes, por meio de consumo do supérfluo, ficando à mercê de um mercado que pretende ser hegemônico, colocando inclusive o dinheiro como caminho de cura e salvação. E é a partir do cenário da monetarização da dádiva, cada vez mais estimulado pela economia do capitalismo selvagem, que estimula a competição, o acúmulo, a exclusão e o consumo do supérfluo que poderemos refletir porque que as pessoas vão ao Shopping para comprar o que não precisam, com o dinheiro que ainda não possuem, para impressionar quem não conhecem e parecer ser o que não são! É por meio dos métodos da amplificação do conhecimento, advindos da psicologia analítica, e da integração dos saberes, que os conceitos são construídos, ficando compreensível as razões que levam aos apegos. Estes geram as necessidades de controle que, por sua vez, exige poder para “aprisionar” ou acumular o objeto de desejo, até que tragicamente, começam a surgir os sintomas de adoecimento nas instâncias materiais, biológicas, psicológicas, sociais e até mesmo espirituais, produzindo agressão e destruição, tanto no desejante quanto no desejado. É a partir do homem contemporâneo que este livro de situa, objetivando ampliar o entendimento das relações que o dinheiro estabelece, consciente e/ou inconscientemente, com o sagrado, a saúde, a salvação e os outros tipos de demandas e fenômenos culturais tão presentes hoje nas questões existenciais da humanidade capitalista. Isso porque, de forma mais evidente na sociedade ocidental, a cura e o sagrado se referem à busca de salvação. Portanto, este livro pretende contribuir para o entendimento de que o dinheiro é para o ser humano contemporâneo, uma fonte de inesgotável de energia e de transformação, além de esperar que ele sirva de estímulo para que os leitores também se interessem pelas implicações do dinheiro, possibilitando a busca de um mundo mais amoroso e integral.

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    Mickael Menegheti30/04/2023Resenhou um livro
    1.5 (Ruim)

    Dinheiro e o Sagrado

    Complicado fazer críticas hoje em dia onde pessoas confundem critica com ataques pessoais. Esclareço desde já que não é o caso. Fui aluno de Magaldi e ele foi um professor sensacional. Como esquecer a aula inaugural da Pós em Jung? Não tem jeito! Tocou minha alma em um momento da minha vida que precisava recuperar a alma no meu trabalho. Feita essa separação, agora critico o Magaldi enquanto a tese defendida. Não concordo com sua visão sobre a psicologia analítica apresentada no livro. Acho que o autor faz uma grande salada com os conceitos junguianos para justificar sua visão pessoal, perdendo assim a finalidade científica da epistemologia junguiana. Dou um exemplo: ele demonstra o poder das antinomias dedicando um capítulo inteiro ao tema. Até aí tudo bem. Mas ao tratar da antinomia Bem X Mal (talvez uma das mais centrais da narrativa junguiana) o autor se permite simplesmente discordar de Jung e reforçar a privativo boni, filosofia que remonta a Agostinho de Hipona. Para o autor o Mal é apenas ausência do Bem, ou seja, é só preencher o Mal com o Bem que está tudo certo. Ele até compara a escuridão como ausência de luz e o frio como ausência de calor. Mas isso é uma falácia, pois é o mesmo que dizer que o lado Coroa da moeda só é Coroa por ausência de Cara. Se você preencher com Cara a Coroa deixa de existir, o que é um absurdo. E irreal. Moedas para serem moedas precisam de Cara e Coroa. E essa discussão é superada pelo próprio Jung. Então não gostei do livro porque o autor usou dos conceitos junguianos para justificar sua visão pessoal sobre o tema dinheiro e sagrado. Outra pequena crítica é em relação ao estilo. Magaldi é por vezes prolixo, o que dificulta a leitura. Eis minhas impressões do livro.

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