Edney Silvestre é um jornalista bastante conceituado, principalmente nos idos dos anos 90 e 2000, sendo o principal jornalista responsável pela cobertura do 11 de setembro pela rede globo. Eu não conheci esse Edney Silvestre, somente o escritor dos ótimos Se eu fechar os olhos agora, Vidas provisórias e Welcome to Copacabana & outras histórias.
Tendo isso em vista, fico com Edney escritor e não jornalista, as crônicas desse livro são interessantes enquanto narram acontecimentos jornalísticos. A primeira e a última, pautadas no 11 de setembro, são excelentes. Porém quando o autor começa a divagar sobre sua vida nos Estados Unidos, seu passado em Valença, a vida cultural de Nova York, em alguns momentos parece uma coluna de fofoca bem baixa, com requintes de alguém que quer mostrar que tem classe, mas acaba sendo desprezível. O cenário cultural dos anos 90 em Nova York é de encher os olhos e alma de qualquer um que goste de cinema, teatro, música, etc... mas algumas pontuações muito pessoais me soaram por demais ácidas e cheias de arrogância e empáfia, como alguém que precisasse reafirmar para si mesmo pertencer a um círculo intelectual acima de outras pessoas.
Prefiro o Edney Silvestre da ficção de A felicidade é a fácil e O último dia da inocência, ainda inéditos para mim na minha estante, mas que com certeza serão lidos e devidamente apreciados.