Sempre fico impressionada com a qualidade do conteúdo e com a riqueza de informações e detalhes dos livros de Javier Moro, mas neste, essas características ficam ainda mais surpreendentes. Imagino quão trabalhoso é fazer uma pesquisa para construir uma obra dessas. Quando digo que Javier Moro é meu escritor favorito é porque cada obra sua é praticamente um curso de História para mim.
Caminhos de Liberdade foi escrito em 1992, publicado no Brasil em 2011, e conta a saga de Chico Mendes para salvar a Amazônia. Uma história tão importante para o nosso país, com repercussão mundial, porém tão esquecida por nossos líderes, autoridades e professores.
É curioso aprender sobre o próprio país pelas palavras de um estrangeiro, não é? Mas realmente não me lembro de ter ouvido falar da importância dessa luta por brasileiros. Uma pena que a imagem desse herói tenha ficado associada à ideologia do partido político que tem destruído o Brasil, mas o oportunismo está na origem dessa gente. O partido se apossou de uma luta que já estava em curso para se mostrar preocupado com as minorias -- como sempre. O barbudo do ABC se juntou ao sindicato de Chico para ajudá-lo, mas, obviamente, não fez diferença nenhuma. Todo o mérito deve ser dado aos seringueiros, aos índios, aos religiosos e professores de diversas partes do país, e aos incríveis pesquisadores e ativistas estrangeiros que se uniram à causa da selva. Ao ler este livro, minha ideia sobre a luta mudou. Eu não sabia da origem do problema. Para mim, a única coisa que importava sobre o tema era garantir o fim do desmatamento da Amazônia, pelo bem do meio ambiente e, consequentemente, da humanidade. Mas impedir os latifundiários de se apropriarem da selva era um problema muito mais profundo. A miséria e a injustiça que ali reinavam eram de uma tristeza inigualável.
Sobre a obra além da História, o estilo do autor já era claro. Javier narra as vidas dos personagens separadamente até juntá-las de maneira surpreendente. Ele tem o dom descrever os personagens coadjuvantes da trama como protagonistas -- e deixar o entorno da história ainda mais interessante e atraente.
Há um personagem neste livro que me cativou mais que Chico Mendes: Pernambuco. Não quero estragar a surpresa de ninguém contando o final, mas Pernambuco tocou o meu coração.