Timoneiros - Retórica, prudência e história em Maquiavel e Guicciardini

    Felipe Charbel Teixeira

    Editora Unicamp
    2011
    232 páginas
    7h 44m
    ISBN-10: 8526809164
    Português Brasileiro

    Maquiavel e Guicciardini são os dois pensadores políticos mais instigantes do Renascimento italiano. Embora a notoriedade do primeiro contraste com a pouca divulgação do pensamento do segundo no Brasil, os dois autores compartilharam e mesmo discutiram vários interesses: a política, a república, a história. Além do famoso Príncipe, o mais lido manual político da história do Ocidente, que é repleto de exemplos do passado, Maquiavel escreveu uma história da cidade de Florença e fez do conhecimento histórico o caminho comparativo das experiências de antigos e modernos, que constitui o seu livro sobre os romanos. Guicciardini também foi autor de uma história de Florença, mas a sua principal façanha historiográfica e intelectual foi a escrita daquela que é considerada a primeira história da Itália (a península, pois a unificação do Estado só se daria séculos depois). É a partir dessa clássica e riquíssima conexão entre a história e a política que Timoneiros, de Felipe Charbel, explora, com raras maestria, inteligência e erudição, um conjunto de temas renascentistas em cujo centro se encontra a figura da prudência, acompanhada de sua inseparável companheira, a retórica. O resultado é um panorama fecundo, provavelmente o mais arguto publicado por um autor brasileiro, das artes históricas do Renascimento e de seu papel central no enfrentamento das vicissitudes da Fortuna e da vida pública. E o melhor é que Felipe Charbel o faz num texto agradável, que traz generosamente ao leitor a erudição que os temas reivindicam, com um firme controle das fontes e da teoria historiográficas, mas sem qualquer pedantismo. Não à toa a obra foi merecidamente premiada em várias ocasiões, das quais se devem destacar, até aqui, as menções honrosas nos concursos de melhor tese de doutoramento em história da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da seção fluminense da Associação Nacional de História (Anpuh). Sem dúvida, uma leitura imperdível. (Marcelo Jasmin).

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    Biblioteca Pública Municipal Álvaro Guerra25/08/2022Resenhou um livro
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    O conceito de prudência possui centralidade em Maquiavel e Guicciardini, sendo empregado para qualificar o bom juízo, a celeridade decisória e a aguçada capacidade de avaliar as transformações da realidade. Os prudentes, além de reunirem em si as qualidades citadas, devem ser capazes de articular os produtos do cálculo cuidadoso da realidade na forma de textos ou orações regrados segundo preceitos definidos em tratados clássicos de arte retórica. Abrem-se, assim, dois horizontes distintos, porém mutuamente dependentes, em torno da prudência. De um lado, a ênfase no cálculo e medida das coisas do mundo, com destaque para a questão dos efeitos, ou seja, os possíveis resultados das ações dos governantes e demais agentes envolvidos nos processos de tomada de decisões em Repúblicas, principados, reinos ou estados papais; de outro, a representação de uma performance letrada da prudência em textos compostos segundo preceitos éticoretóricos- poéticos convencionais. Trata-se, nesta tese, da discussão desta dupla dimensão acerca da prudência, com ênfase no exame das histórias compostas por Maquiavel e Guicciardini. Livro disponível para empréstimo nas Bibliotecas Municipais de São Paulo. Basta reservar! De graça!

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