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    O Último Cabalista de Lisboa -

    Richard Zimler

    Edições ASA II
    2008
    384 páginas
    12h 48m
    ISBN-13: 9789724151878
    Português Brasileiro
    3.9
    249 avaliações
    Leram456Lendo113Querem402Relendo0Abandonos21Resenhas18
    Favoritos1Desejados402Avaliaram249

    Em Abril de 1506, durante as celebrações da Páscoa, cerca de 2000 cristãos-novos foram mortos num pogrom em Lisboa e os seus corpos queimados no Rossio. Reinava então D. Manuel I, o Venturoso, e os frades incitavam o povo à matança, acusando os cristãos-novos de serem a causa da fome e da peste que flagelavam a cidade. Os Zarco, uma família de cristãos-novos residentes em Alfama, tinham como patriarca Abraão Zarco, iluminador e membro respeitado da célebre escola cabalística de Lisboa. Depois do pogrom, Berequias Zarco, sobrinho e discípulo de Abraão, vai encontrar o tio e uma jovem desconhecida mortos numa cave que servia de templo secreto desde que a sinagoga fora encerrada pelos cristãos-velhos. Um e outro estão nus e banhados em sangue. Estranhamente, a porta está fechada por dentro. Um manuscrito iluminado, recentemente terminado por Abraão Zarco, em que os rostos dos seus vizinhos e amigos representam personagens bíblicas, desapareceu do seu esconderijo secreto. O assassino teria sido um cristão ou, como os indícios fazem crer, outro judeu? Quem seria a rapariga morta? Estaria o rosto do assassino representado no manuscrito roubado? O Último Cabalista de Lisboa é um extraordinário romance histórico tendo como pano de fundo os eventos verídicos desse mês de Abril de 1506 e pode ser lido a vários níveis, na tradição de um verdadeiro livro cabalístico.

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    Ladyce West24/03/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    História, mistério e aventura

    Raramente no grupo de leitura a que pertenço nos dedicamos a livros lançados há muito tempo, porque nem sempre é fácil para os membros conseguirem comprar volumes esgotados. Mesmo sabendo que o livro é muito bom temos o cuidado de verificar se está disponível nas livrarias antes de o recomendarmos. Isso nos faz ler principalmente os mais recentes lançamentos. Foi, portanto com prazer que verificamos que a editora Best Bolso [Grupo Editorial Record] havia lançado O ÚLTIMO CABALISTA DE LISBOA, de Richard Zimler, originalmente lançado no Brasil em 1997 e bem recomendado por amigos leitores. Valeu à pena seguirmos essa indicação. O romance de mistério e também histórico passado em Lisboa, em 1506, se concentra num assassinato que acontece ao mesmo tempo em que no centro da capital portuguesa aproximadamente 2000 judeus e cristãos novos são exterminados em praça pública, sacrificados vivos numa grande fogueira. É na semana dessa horrível de desmesurada matança, fato histórico comprovado, instigada pelos Dominicanos, que se passa o assassinato que Berequias Zarco investiga. A vítima era Abraão, seu tio e mentor no estudo da Cabala. O romance começa com um aceno, uma referência, às tradições românticas do século XIX, quando um autor, antes de desfiar sua narrativa, a enquadra como vinda da descoberta de um manuscrito recém-encontrado. Os escritores Bram Stoker (irlandês) e Nathaniel Hawthorne (EUA) são apenas dois nomes que vêm à mente quando penso nesse tipo de gancho na narrativa. Tratando-se de O ÚLTIMO CABALISTA DE LISBOA essa introdução é de grande efeito, porque sabemos que as histórias que conhecemos do período da Inquisição em Portugal na época de D. Manoel, O Venturoso, são escassas e tendenciosas. Grande parte dos manuscritos – judaicos ou não – que faziam parte da biblioteca de mais de 70.000 volumes da Coroa Portuguesa, desapareceu no terremoto de 1755. Assim, a suposta descoberta de um manuscrito em Constantinopla, dá, desde o início da narrativa, um cunho de verdade, como um crédito para aliviar a nossa descrença. É bom afirmar desde logo que este não é um romance religioso. É principalmente uma história de mistério, de resolução de um crime, que acontece numa semana de grande inquietação social nas comunidades não-cristãs: judaica e muçulmana, na Lisboa de 1506. As referências à Cabala – estudo da natureza do que é divino – não são mais do que um pano de fundo, uma ferramenta de uso dramático, que ajuda a apresentar ao leitor, através de liberais pinceladas culturais, alguns aspectos do dia a dia da Alfama moura e judia. A cabala permeia o texto através de citações filosóficas de fácil compreensão, tais como “os livros são feitos por letras mágicas”, entre outras. Torna-se evidente, logo após as primeiras 50 páginas que a intenção de Richard Zimler (um judeu americano naturalizado português que reside na cidade do Porto) é a de escrever um livro de suspense que absorva o leitor de tal maneira que não possa deixá-lo de lado. E isso ele consegue facilmente. Também é sua intenção, acredito, manter a memória viva de todos os sacrifícios pelos quais o povo judeu passou. Mas seu retrato da brutalidade da época, das maneiras rudes da população, dos medos, das doenças, da peste, das crendices, do sexo, tudo que ele descreve nos leva, a nós também que não somos judeus, a querermos manter a memória viva dessa e de outras épocas -- sobreviventes que somos todos nós dos augúrios do passado -- para que chacinas, preconceitos, extermínios não se repitam nunca mais. Nem pelas nossas mãos, nem pelas de outrem. O ÚLTIMO CABALISTA DE LISBOA apresenta uma história sobre anti-semitismo e os judeus em Portugal. Somos levados a considerar, mais uma vez, as conseqüências de uma nobreza associada por baixo dos panos ao financiamento, ao dinheiro, aos empréstimos judeus, e acima da mesa a uma religião cega, dominada pelo medo e pela ignorância do povo. Lembramos com esse romance do fiasco das conversões forçadas, e das reações às doenças da época. Temos que confrontar os hábitos porcos, insalubres, violentos e amorais da era das grandes descobertas lusitanas. E de sobra, somos apresentados aos valores das reais e das falsas amizades. Tudo isso num ritmo frenético, de grande suspense. Que mais se pode pedir de um romance? Leitura gostosa, com passagens violentas, mas de grande lucidez e magia.

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