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    Lourenço -

    Franklin Távora

    Livraria Martins Editora
    1972
    238 páginas
    7h 56m
    ISBN-13: Bom clássico!
    Português Brasileiro
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    Felipe Monteiro24/01/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    No anos 30 do século anterior, o Nordeste passou a ver no Regionalismo literário uma forma de criar uma produção autêntica, contrastando-se com o Modernismo brasileiro, que matinha um firme elo com a literatura europeia. Nas últimas décadas do século XIX, Franklin Távora plantou sementes cujos frutos contribuíram para o romance regionalista da década de 30. A seu tempo, Távora viu o nacionalismo romântico influenciar o romance regional. Esse último exaltou as características regionais de uma forma idealizada. Não era raro, por exemplo, que índios aparecessem em romances de forma heroicizada e portando características que, na realidade, sequer possuíam. Em seus romances, Franklin Távora pôs em destaque a precariedade da vida do sertanejo, a propagação do banditismo e os malefícios que a ausência de uma educação de qualidade traz à sociedade. “Lourenço” carrega esses elementos de forma visionária, antecipando discussões contidas no romance regionalista de 30. A história começa com Távora apresentando o contexto político e social do enredo ao leitor. Com a chegada de Félix José Machado ao poder, ocorreu a inauguração do pelourinho, escandalizando a nobreza pernambucana, a qual procurou o bispo D. Manuel Alves da Costa, que era consultado pelo governador antes dele tomar algumas decisões. A título de curiosidade, o pelourinho foi destruído na Guerra dos Mascates, movimento nativista em que a nobreza de Olinda e os comerciantes portugueses de Recife se confrontaram. O bispo tenta apaziguar a nobreza pernambucana e a aconselha a não entrar em guerra com o governador. Assim mesmo, alguns não descartaram essa hipótese, como foi o caso de Leão Falcão D’Eça. Também havia muitos insatisfeitos com a construção do pelourinho no interior de Pernambuco. O governador dispunha de muitos recursos para deter os insatisfeitos, além do apoio dos mascates. A insatisfação da nobreza de Olinda chega à Goiana, cidade do interior da capitania. Ela possuía grande importância. Lá, um movimento de oposição contra Félix José Machado torna a se organizar. Cosme Cavalcanti, André Cavalcanti, Luis Vidal, André Vidal são alguns dos opositores. Eles organizam uma força contra o governador ao saírem de Goiana. Em meio a esse contexto, Lourenço vive com a sua mãe de criação, Marcelina, em uma habitação localizada a uma distância de uma légua de Goiana. Marcelina, à época, era casada com Francisco. Futuramente, Lourenço vai a Recife e se encontra com Francisco. Lá, teve contato com um pouco da insatisfação em relação ao governador da capitania. Mais tarde, após visitar Trucunhaem, Lourenço entra em contado com Falcão D’Eça, integrante de uma força contra Félix José Machado. Eis quando Lourenço começa a dela participar. A história contada em “Lourenço” é do tipo que o autor vai construindo os personagens, a ambientação, e o contexto social e político antes de inseri-los no enredo. Franklin Távora o fez por meio de uma escrita que não requer grande esforço para ser compreendida, embora o tempo seja um fator que produz em uma língua mudanças significativas. Outra característica marcante dessa obra é que nada é mencionado ao acaso, o que me agrada bastante. Conclua a leitura da resenha no blog. Caso tenha gostado e deseje ler outras nos mesmos moldes, siga o perfil no instagram: @literaturaemanalise

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    João Franklin da Silveira Távora

    João Franklin da Silveira Távora (Baturité, 13 de janeiro de 1842 — Rio de Janeiro, 18 de agosto de 1888) foi um advogado, jornalista, político, romancista e teatrólogo brasileiro. Em 1844 transferiu-se com os pais para Pernambuco. Fez preparatórios em Goiana e Recife, em cuja Faculdade de Direito matriculou-se em 1859, formando-se em 1863. Lá viveu até 1874, tendo sido funcionário público, deputado provincial e advogado, com breve intervalo em 1873 no Pará, como secretário de governo. Em 1874, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi funcionário da Secretaria do Império. Iniciou o romantismo de caráter regionalista no Nordeste. Uma de suas obras mais marcantes é O Cabeleira, romance passado em Pernambuco do século XVIII. Foi crítico ferrenho de outros grandes autores brasileiros, como José de Alencar.

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    João Franklin da Silveira Távora