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    Às Portas da Revolução - Escritos de Lenin de 1917

    Slavoj Žižek, Vladimir Lenin

    Boitempo
    2005
    352 páginas
    11h 44m
    ISBN-10: 857559060X
    Português Brasileiro
    4.2
    33 avaliações
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    Slavoj Žižek nos surpreende uma vez mais, rompendo a “solidão de Lenin”, que havia sido responsabilizado por tudo o que passou depois na URSS, desqualificado como líder e teórico do totalitarismo, reduzido à solidão. Prematuramente, segundo o pensador esloveno. Žižek se contrapõe ao consenso liberal – tão presente dentro da própria esquerda –, para resgatar o Lenin estrategista, que vai desde a oposição pacifista à guerra interimperialista de 1914 até o dirigente da virada revolucionária de 1917 – ‘o Lênin do qual ainda temos que aprender’, escreve ele. Aprender com o dirigente revolucionário que soube resistir ao consenso belicista que se havia imposto até à esquerda, que foi capaz de prever como as situações catastróficas preparam as condições de uma contra-ofensiva revolucionária e conseguiu promover as condições para que o desenvolvimento desigual e combinado do capitalismo fosse rompido no seu elo mais fraco – a Rússia. Que soube, conforme a percepção de Marx, descobrir o aspecto revolucionário na miséria do povo. Žižek retoma o fio da meada da aventura revolucionária dos bolcheviques, sob a direção de Lenin, com textos daquele período ‘em que o extraordinário se torna cotidiano’, e com reflexões que adentram nas várias dimensões do processo revolucionário. Quando existe a tentação de descartar a luta pelo poder e a construção do poder popular alternativo, como se magicamente se pudesse abolir o poder – e, com ele, o imperialismo –, o Lenin estrategista reaparece nesta seleção de textos com toda a sua genialidade. Ler Žižek e reler Lenin em um tempo como este surpreende pela riqueza a que uma leitura contemporânea pode nos permitir, para captar como os movimentos históricos podem ser revertidos e como a história é uma permanente aventura de liberdade e de utopias para a humanidade. Porque Lenin soube articular o realismo com a utopia: ‘É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho. De observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias. Sonhos, acredite neles’ (Lênin, em Que fazer?) E por isso se tornou um dirigente e teórico revolucionário.

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    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa picture
    Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa15/03/2010Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Adeus Lênin - e olá, Lênin!

    Politicamente ativo desde os anos 80, Slavoj Žižek acompanhou de dentro a desintegração da Iugoslávia titoísta, foi candidato derrotado à presidência da Eslovênia pós-socialista pelo Partido Liberal Democrático (de centro-esquerda, hoje no poder) e aceitou um cargo de embaixador cultural do novo país em 1991. Seria compreensível se, como tantos intelectuais do leste europeu, esse sociólogo, filósofo e teórico da psicanálise esloveno se apressasse a descartar o leninismo e saudar a globalização dos valores ocidentais. Mas suas reflexões e análises, fundadas tanto em Marx quanto em Lacan, são tão surpreendentes do ponto de vista do consenso liberal quanto do marxismo-leninismo clássico. Pouco menos de metade de "Às Portas da Revolução" é uma coletânea de textos de Vladimir Ilyich Lenin escritos entre as revoluções de fevereiro e de outubro de 1917. Ante a realidade da guerra da fome e ao medo dos socialistas de abandonar o papel de perdedor, Lenin desafia a esquerda a assumir o poder sem medo e sem concessões. Uma tentativa de romper com o automatismo da política do possível, cuja vitória inicial e fracasso final delimitam o curto século XX, tal como definido pelo historiador Eric Hobsbawm No prefácio e no longo posfácio, Žižek expõe a relevância desses textos para o presente e o futuro. De saída, avisa os incautos: não vai seguir as regras da Academia, que pede abordar Lenin de "maneira objetiva, crítica e científica... a partir de uma perspectiva firmemente enraizada na ordem política, dentro do horizonte dos direitos humanos...” Jurar "fidelidade ao consenso democrático" é aceitar o consenso liberal-parlamentar e impedir qualquer questionamento sério dessa ordem: "Por mais benevolente que seja, isto inevitavelmente terminará num Gulag!"... É aceitar o projeto de desutopia: "não apenas a ausência temporária da Utopia, mas a comemoração política do fim dos sonhos sociais"... Não procura amenizar as violências da revolução russa, da polícia secreta de Stálin e do Gulag. Pelo contrário, ainda cita Canudos e as vilas controladas pelo Sendero Luminoso como exemplos de utopias que existiram por breves períodos, sem ignorar ou idealizar seus excessos e brutalidades. Por exemplo, a execução pelos guerrilheiros peruanos de consultores agrícolas e agentes de saúde da ONU e dos EUA, depois de forçá-los a confessar publicamente sua cumplicidade com o imperialismo. Žižek defende a intenção básica desse ato: a vontade de dar o "salto para a fé" e pular para fora do circuito global que revela a real autonomia revolucionária na completa rejeição ao inimigo, especialmente em seu aspecto de ajuda "humanitária”. Não se trata de apostar no renascimento da ditadura do proletariado e do marxismo-leninismo clássico, mas no desafio que representa o “leninismo” aos intelectuais: hoje, a verdadeira liberdade de pensamento significa liberdade para questionar o consenso democrático-liberal "pós-ideológico" dominante – ou não significa nada. Sua abordagem dispõe-se a recuperar a revolução socialista do século XX como experiência libertária, sem fantasias e sem omitir erros e reveses. Um pouco como se conta a história de Espártaco e de Palmares, mas não exatamente: o potencial da Revolução de Outubro ainda não foi esgotado. Suas promessas ainda em aberto – jamais renegadas pela nomenklatura, por mais incapaz que fosse de cumpri-las – continuam subversivas. A irônica prova, Žižek toma de uma observação de John Berger sobre um anúncio francês da companhia de investimentos Selftrade: sob a imagem de uma foice e martelo de ouro e diamantes, o texto dizia “e se todo mundo lucrasse com o mercado de ações?”. O anúncio não funcionaria com uma suástica, ou mesmo com a águia estadunidense: nesse caso, sua mensagem se dirigiria aos vitoriosos, não aos derrotados e invocaria dominação, não justiça. Para passar sua mensagem, o publicitário mobilizou a esperança, ainda latente no símbolo bolchevique, de que a história esteja um dia ao lado dos que lutam pela justiça.

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    Slavoj Žižek

    Influente filósofo e professor esloveno, dá aulas na Universidade de Liubliana e é diretor internacional da Birkbeck, Universidade de Londres. Influenciado fortemente por Lacan, Hegel e Marx, faz análises críticas com seu estilo idiossincrático e polêmico.

    57 Livros
    166 Seguidores
    República Socialista da Eslovênia, República Socialista Federativa da Iugoslávia

    Slavoj Žižek