Caminhando pelos corredores da biblioteca da UERJ, me deparei com esse livro do Franz Boas, que é um autor com o qual nunca tive contato, mas sempre tive curiosidade de ler pela influência exercida sobre Gilberto Freyre.
O título do livro chamou a minha atenção de imediato e, após uma rápida passada de olhos no índice, me convenci de que gostaria da leitura. A introdução já é formidável, pois nela Boas mostra a que veio, desbancando grande parte do consenso das ciências humanas na europa do século XX.
O curioso é que Boas veio da física e, após uma expedição para realizar pesquisas e experimentos físicos entre os esquimós, parece ter se apaixonado por aquela cultura e passou ao campo da antropologia, sendo aparentemente um dos principais nomes da área no começo do século XX, com uma colaboração espetacular para o estudo da antropologia, especialmente no que concerne às misturas de raça.
A noção europeia de superioridade é desbancada não apenas com relação ao seu olhar para os antigos, mas também com relação a uma pretensa tese de pureza racial. Através de elementos objetivos extraídos de culturas e povos antigos, mas também de elementos físicos e anatômicos, Boas demonstra a inconsistência de grande parte das teses que vigoravam como inquestionáveis na sua época.
Essa é incontestavelmente uma leitura que vale a pena não somente pela sua relevância intelectual e acadêmica, mas também pelo prazer de acompanhar o raciocínio e a escrita de Boas.