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    História do Amor no Ocidente -

    Denis de Rougemont

    Ediouro
    2003
    544 páginas
    18h 8m
    ISBN-10: 8850001177
    Português Brasileiro
    4.3
    19 avaliações
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    Esta apaixonante obra é o mais novo lançamento da coleção “Clássicos Ilustrados”. Escrito pelo suíço Denis de Rougemont e publicado pela primeira vez em 1939, este clássico estudo sobre as origens do amor na cultura ocidental se torna cada dia mais atual e surpreendente. Ricamente ilustrado e apresentando um prefácio inédito de Marcelo Coelho, além de um apêndice explicativo no final, este “best-seller” contém todos os ingredientes para conquistar seu coração e se tornar seu mais novo amor. “História do Amor no Ocidente” é uma tentativa de descrever o amor como um fenômeno histórico de origem propriamente religiosa, priorizando o conflito da paixão e do casamento no Ocidente. O autor começa falando do mito de Tristão e Isolda, as origens religiosas do mito, paixão e misticismo, o mito na literatura, amor e guerra e encerra falando do mito contra o casamento e a fidelidade. Esse trabalho de análise e pesquisa teve como base trabalhos considerados clássicos e outras obras que abordavam o tema. Através deste livro, Rougemont mostra que estava à frente do seu tempo, dando origem a um gênero literário que apenas se tornou conhecido nos anos 80, que é a abordagem histórica de assuntos cotidianos, mas nada banais. Utilizando maestria, erudição e, ao mesmo tempo, leveza e encanto, escreve essa deliciosa obra, mostrando que, assim como todos os mortais, ele também é romântico e apaixonado. A maior lição, que chega a ser até um surpresa que este livro nos reservou, passado o primeiro impacto de sua demonstrações históricas e revelações erudita, está na idéia de que nossos sentimentos jamais serão puros e sempre estarão sujeitos a enganos e interpretações diversificadas. “Eu definiria, de boa vontade, o romantismo ocidental como um homem para o qual a dor amorosa é um meio privilegiado de conhecimento”, diz o autor, nos convidando a conhecer um pouco mais esse romantismo. Duvido que alguém recuse este convite, afinal, quem não gostaria de conhecer melhor este sentimento maravilhoso e sua história? Sobre o autor: Denis de Rougemont, suíço, nasceu em 1906 e morreu em 1985. Filósofo e ensaísta europeu não-conformista, buscou definir o indefinível, obter conhecimento da Natureza e do Homem. Um vanguardista das Letras e das Artes, fundou em 1952, junto ao maestro Igor Makevitch, a Associação Européia de Festivais de Música e, mais tarde, a Assossiação Européia de Festivais. Sua fundação foi gerada pelos anseios de preservação e divulgação da cultura européia. Os 15 festivais fundadores (Aix-en-Provence, Berlin, Florença, Viena, entre outros) tinham como premissa o alto ideal artístico. Atualmente cerca de 90 festivais representando mais de 35 países através de rede mundial e ONGs com espetáculos, seminários, trocas de experiências com maior densidade de manifestações artísticas, buscam o significado da vida e da cultura dos povos. Além deste “best-seller”, o autor também escreveu “Vinte e oito séculos de Europa, a consciência européia através dos textos de Hesíodo até nossos dias” e “Os Mitos do Amor”. (do site http://www.ediouro.com.br)

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    Felipe Correia Pimenta12/09/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O conflito entre paixão e casamento

    Nesse livro famoso, Denis de Rougemont estabelece a ligação entre a poesia dos trovadores e a heresia cátara. Para os cátaros Deus é bom, mas o mundo é mau, por conseguinte, Deus não poderia ser o autor do mundo. O mundo material seria criação do Anjo revoltado, ou seja, Lúcifer. Os cátaros rejeitavam o dogma da Encarnação e os sacramentos, tinham repulsa pela mulher ( apesar da seita ter atraído milhares de mulheres), a gravidez e o casamento. A doutrina cátara exigia que se terminasse a vida "não por fadiga, nem por medo ou dor, mas num estado de perfeito desprendimento da matéria". Os cátaros pretendiam passar da noite para o dia sem nenhum intermediário. "Aquele que pretende chegar a Deus sem passar por Cristo vai ao encontro do Diabo" dizia Lutero. Quando se ignora o caminho, precipita-se na noite; isso acontece quando se tenta unir-se ao Transcendente quando o fim não é a Luz, nas belas palavras de Rougemont. Mas a acusação de excessos sexuais por parte dos cátaros não parece ser verdadeira. Os trovadores ridicularizavam o casamento, desprezavam os clérigos e seus aliados feudais e se lançavam a dois pelas estradas como faziam os sacerdotes cátaros. Da necessidade dos trovadores de esconderem suas simpatias cátaras, nasce a escola do TROBAR CLUS, acessível apenas aos iniciados. *** A tese de Rougemont de que o culto à Virgem Maria, surgido com maior força no século XII, seria uma reação da Igreja contra o crescimento das doutrinas maniquéias é contestável. A veneração à Virgem já existia há séculos, e nem mesmo certas objeções feitas por São Bernardo e Santo Tomás de Aquino invalidaram a Veneração à Virgem. *** Para Rougemont, a crise atual do casamento tem origem no conflito entre o catolicismo e a heresia cátara. Segundo o autor, o problema é que o jovem é educado desde cedo para acreditar que a paixão é a experiência suprema que todo homem deve um dia conhecer, e que somente quem viveu a paixão experimentou a vida em sua plenitude, sem perceber que paixão(ideal dos trovadores cátaros) e casamento( ideal cristão) são por essência incompatíveis. A tensão entre paixão e casamento nos lembra do problema da infidelidade. Rougemont lembra que a fidelidade é contrária aos valores do mundo moderno. O objetivo da fidelidade não é a felicidade e nem representa a obrigação da pessoa amada de reunir o maior número de qualidades possíveis. A fidelidade é antes de tudo uma obediência a uma verdade em que se acredita, e em segundo lugar a vontade de executar uma obra. Rougemont declara que se a promessa de casamento é o tipo de ato sério, ela só será se for feita por toda a vida, pois só o irrevogável é sério. A importância do mito nos fala da diferença entre Eros( pagão) e Ágape( Cristão); a diferença entre se apaixonar e amar, que é o primeiro mandamento do Decálogo. Foi o amor pagão de Eros que difundiu a crença da ascese idealista, o que Nietzsche critica injustamente no Cristianismo, segundo o autor. Eros quer exaltar a vida através da paixão acima de nossa condição finita, enquanto Ágape sabe que o amor liberta e que a vida terrestre não merece ser adorada, mas ser aceita em obediência a Deus e ao eterno. Os pagãos divinizavam o desejo, que é a grande tentação e o pior inimigo da vida. O problema da paixão já havia sido analisado por Santo Tomás de Aquino, que dizia que a paixão é um movimento do apetite sensitivo. Santo Tomás diz que a paixão diminui o pecado na medida que diminui o voluntário; mas quanto à paixão que segue ao ato, ela não diminui o pecado, mas o aumenta. E o pecado é maior quanto mais prazer se sinta. Aristóteles já havia dito que o silogismo daquele que não se domina tem duas proposições universais; Uma: não se deve cometer adultério; a outra: é preciso procurar o prazer. A paixão amarra a razão para que não se tire nenhuma conclusão da primeira e tire conclusão da segunda. Esse culto do desejo que é tão comum em nossa sociedade, em que as pessoas muitas vezes desesperadas saem pelo mundo em busca de experiências, e que tornam os relacionamentos tão instáveis, faz nascer as filhas do desejo, que são a cegueira da mente, o amor de si, a irreflexão e a inconstância. E a inconstância é inimiga dos relacionamentos e, principalmente, do casamento. Rougemont, em algumas palavras belíssimas, diz que só é possível superar a paixão, nascida de um desejo mortal de uma união mística através do encontro de um outro, pela aceitação de uma pessoa diferente de nós, mas que oferece uma aliança sem fim. Então deixamos de buscar a felicidade sensível, aceitamos a vida, e então o casamento se torna possível. Conclusão O mito que mantinha o casamento estável desapareceu junto com as coerções sagradas, sociais e religiosas. Por exemplo: na coerção religiosa o compromisso é feito para todo o sempre, sem levar em conta diferenças de temperamento, de caráter, de gostos e de fatores extremos. Ora, para o autor os casais modernos condicionaram sua felicidade justamente a esses fatores. Rougemont faz uma extensa análise do mito de Tristão e Isolda, e diz que o mais importante no mito não é a divinização da mulher, mas o conflito entre duas místicas: A católica que conduz ao "casamento espiritual" de Deus com a alma, mas com uma distinção entre criatura e criador, e para quem o amor profano longe de ser negado, acaba sendo santificado através do casamento; e a cátara que espera a união e fusão total da alma depois da morte dos corpos e para quem não há redenção possível nesse mundo, e em consequência disso o amor profano seria a infelicidade absoluta. Para um melhor entendimento da história dos cátaros recomendo a obra de René Nelli, e para o tema da Gnose a obra de Hans Jonas "The Gnostic Religion". A questão da paixão, assim como os vícios capitais, foram tratados por Santo Tomás no Livro IV da Suma Teológica. O Silogismo de Aristóteles foi retirado do livro VII da Ética a Nicômaco.

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    Denis de Rougemont

    Denis de Rougemont (Couvet, cantão de Neuchâtel, 8 de setembro de 1906 - Genebra, 6 de dezembro de 1985) foi um escritor e ecologista suíço. Sua obra L'Amour et l'Occident, traduzida para o inglês como Love in the Western World; foi listada como um dos 100 Melhores Livros Não-Fictícios do Século, pela revista National Review.

    2 Livros
    8 Seguidores
    cantão de Neuchâtel., Suíça

    Denis de Rougemont