A Mente sem medo (Krishnamurti)...
Melhores trechos: "...O importante é perceber que a mente em que há conflito é uma mente destrutiva, porque está sempre a deteriorar-se. A deterioração não depende de nenhuma idade: ela se manifesta quando a mente se acha en volvida em conflito e tem muitos problemas não solucionados. O conflito é o núcleo da deterioração e da decadência. Não sei se percebeis a verdade dessa asserção. Se a percebeis, então o problema é de como resolver o conflito. Mas, primeiramente, é ne cessário a pessoa perceber por si própria que a mente que tem qualquer espécie de problema, em qualquer nível e de qualquer duração que seja, é incapaz de pensar com clareza, de ver as coisas como são brutalmente, impiedosamente, sem sentimentalismos nem autocompaixão... Desde o começo dos tempos, sempre quisemos segurança segurança em nosso trabalho, em nossos pensamentos e sentimentos, em nossas crenças e nossos deuses, em nossa nação, em nossa família, em nossos haveres. É por isso que a memória, a tradição, o fundo do passado, exercem tão importante papel em nossa vida. Não se trata de saber como ficar livre de meu condiciona mento, porém, sim, de estar em comunhão com ele de instante em instante. Posso então olhar o desejo de segurança sem convertê-lo num problema... Pois bem; uma vez estejais em comunhão com o desejo que vos impele a buscar a segurança, percebendo ser esse desejo o criador da contradição (já que nada ou ninguém neste mundo pode estar em segurança); desde que o descubrais individualmente, e não mediante instrução de outrem, e após a solução do problema, ver-vos-ei fora do campo da contradição e, portanto, livre do medo... Para compreenderdes o sofrimento, deveis aplicar-lhe toda a aten ção, e nesta atenção não há lugar para escusas, para sentimento, racionalização, não há lugar para nenhuma espécie de comiseração própria. Suponho estar sendo bem claro ao ressaltar a necessidade de darmos inteira atenção ao sofrimento. Nessa atenção, não há esforço para resolvê-lo ou compreendê-lo. A pessoa só está olhando, observando. Todo esforço para compreender, racionalizar ou fugir, impede aquele estado imparcial de completa atenção, no qual pode ser compreendida essa coisa chamada sofrimento... O sofrimento só se conserva ao fugirmos dele, ao desejarmos evitá-lo ou divinizá-lo. Mas, quando não houver nada disso, porque a mente estará em direto contato com o sofrimento e, por conseguinte, completamente silenciosa em relação a ele, descobrireis, então, que ela dele se libertou. Desde que estejamos em direto contato com o penar, este fato, por si só, dissolve todos os fatores que o produzem, inerentes ao tempo e ao pensamento. E, assim, cessa de todo o sofrer..."