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    Diálogo Sobre a Felicidade - Edição Bilingue

    Santo Agostinho

    EDIÇÕES 70, LDA
    2010
    93 páginas
    3h 6m
    ISBN-13: 9789724413846
    Português Brasileiro
    4
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    Tema frequente no pensamento antigo e abordado pelas várias escolas helenísticas, o tema da (no sentido ético) é aqui inserido por Santo Agostinho - ainda no início da sua produção filosófica - no âmbito de uma reflexão de cunho teocêntrico.

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    Alane Sthefany11/11/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Diálogo Sobre a Felicidade - Santo Agostinho

    Agostinho, em um banquete, reúne alguns amigos, a sua mãe, e começam a destrinchar sobre o que é a felicidade e sobre quem a possui. Meu cérebro quase explodiu para acompanhar a linha de raciocínio deles, mas consegui compreender cada apontamento. Achei muito interessante. Simplesmente Agostinho sendo um grande teólogo e filósofo. Trechos Preferidos ✍🏻📚❤️ Convenci-me de que se deve acreditar mais nos que ensinam do que naqueles que mandam. Não se deve de forma alguma conceber Deus como corpóreo, nem a alma, que é a realidade mais próxima de Deus. [...] – Todos queremos ser felizes? Mal disse estas palavras, fez-se ouvir uma só voz de unanimidade. – Parece-vos – perguntei – ser feliz quem não tem o que quer? – todos responderam negativamente. – Será então feliz quem tem o que quer? A nossa mãe disse então: – Se quer bens e os tem, é feliz; se, por outro lado, quer coisas más, ainda que as tenha é infeliz. [...] Eis que aqueles que precisamente não são filósofos, mas que, no entanto, se inclinam para as discussões, afirmam que quem vive conforme quer é feliz. Mas isto é seguramente falso; querer o que não convém, isso mesmo é que é a maior infelicidade. Quem não alcança o que quer não é tão infeliz como quem quer alcançar o que não convém. De facto, a perversidade da vontade ocasiona mais males do que a fortuna nos traz bens. (Túlio, Hortênsio). [...] Concordamos todos, portanto, numa coisa: Ninguém pode ser feliz se não tiver o que quer, mas também não pode ser feliz quem tem tudo o que quer. Ora, as coisas que dependem das circunstâncias do acaso podem perder-se, daí que quem as ama e as possui não pode, de modo nenhum, ser feliz. – Mesmo que se esteja seguro de não perder todas essas coisas, ninguém pode saciar-se com elas. Por conseguinte, pelo facto de sempre sentir necessidade delas, será infeliz. – Mas não te parece – perguntei-lhe eu –, que é feliz aquele que vive na abundância e cercado de todas essas coisas, mas impõe um limite ao seu desejo e que, satisfeito com elas, as goza da forma mais completa, conveniente e agradável? – Não será por causa dessas coisas que ele será feliz, mas sim pela moderação da sua alma. Portanto, não duvidamos de nenhum modo que quem determina ser feliz deve adquirir o que é sempre permanente e não pode ser destruído por nenhum revés da fortuna. – Já há muito tempo que concordámos com isso – afirmou Trigécio. – E Deus? Parece-vos que Ele é eterno e sempre permanente? – perguntei. – Isso é uma coisa tão certa que, de facto, nem é preciso perguntares – disse Licêncio. Todos os outros, com perfeita piedade, concordaram em harmonia. – Portanto – disse eu –, quem possui Deus é feliz. [...] Todo aquele que vive bem faz o que Deus quer e quem faz o que Deus quer vive bem, viver bem e fazer o que agrada a Deus não são coisas diferentes Como é que pode ser casto quem se abstém das relações ilícitas, mas não renuncia a deixarse corromper por outros pecados? Só é verdadeiramente casto quem se volta para Deus e só a ele se consagra. Disse Túlio: Vamos chamar ricos aos proprietários de muitos domínios, aqui na terra, e acerca dos que possuem todas as virtudes, diremos que são pobres? O que é perfeito não carece de nada. De facto, a esse indivíduo que era rico e opulento e que, como dissestes, não desejava mais nada, no entanto, porque temia perder tudo, faltava-lhe a sabedoria. Então chamá-lo-íamos indigente se lhe faltasse a prata e as riquezas e não o podemos fazer quando é a sabedoria que lhe falta? Túlio disse, num discurso popular: Cada um que pense o que quiser, mas eu declaro publicamente que a frugalidade, isto é, a moderação e a temperança é a mais excelente das virtudes. "Moderação" deriva de "medida" e "temperança" de "proporção". Existe uma justa medida ou proporção onde nada está a mais ou a menos. Essa é a plenitude, que apresentámos contrária à indigência e que é muito melhor do que se disséssemos "abundância". De facto, por "abundância" entende-se um certo fluxo e profusão excessiva de uma coisa sem limites. Quando isto acontece mais do que o necessário sente-se a falta da medida e o que é excessivo também necessita de medida. Por conseguinte, a indigência não é estranha ao próprio excesso, porém, o que está a mais e o que está a menos é estranho à medida. Ser feliz consiste em não ser indigente, ou seja, em ser sábio. Mas se quiserdes saber, no entanto, o que é a sabedoria (coisa em que a razão, na medida do possível, tem meditado) dir-vos-ei que ela consiste na moderação da alma, isto é, na sua própria ponderação a fim de que nada se derrame, nem de mais, nem de menos, do que o exige a plenitude. A alma derrama-se na luxúria, nas ambições e no orgulho e outros excessos deste gênero, com que as almas dos desregrados e infelizes julgam obter prazeres e poderios. E, por outro lado, ela reduz-se com a mesquinhez, os medos, a tristeza, a cobiça e outras, sejam elas quais forem, com as quais os homens infelizes admitem viver na infelicidade. Mas a que é que devemos chamar sabedoria, senão à sabedoria de Deus? Aceitamos por divina autoridade que o Filho de Deus é a sabedoria de Deus e o Filho de Deus é seguramente Deus. Portanto, quem é feliz possui Deus Que é a sabedoria senão a verdade? De facto, isso também já foi dito: "Eu sou a verdade" Quem é o Filho de Deus? Já foi dito: "é a verdade". Quem é que não tem pai? Quem senão a suprema medida? Quem, portanto, chegar à suprema medida pela verdade, é feliz. Isto é que significa para a alma possuir Deus, ou seja, gozar de Deus. As restantes coisas, ainda que Deus as possua, não o possuem. [...] – Portanto – concluí eu –, visto que a moderação nos adverte a interromper o nosso convívio por uns dias, dou graças, com toda a minha força, ao Supremo e Verdadeiro Deus, Pai e Senhor, Libertador das almas, e também a vós que, convidados por mim, de bom grado me cumulastes também com muitas dádivas. Na verdade, trouxestes tanta coisa para o nosso diálogo que, não o posso negar, fiquei saciado pelos meus convidados. No momento em que todos nos alegrávamos e louvávamos a Deus, Trigécio disse: – Quem dera que nos alimentasses todos os dias segundo esta medida!

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    Aurelius Augustinus

    Aurélio Agostinho (em latim: Aurelius Augustinus), dito de Hipona, conhecido como Santo Agostinho (Tagaste, 13 de novembro de 354 - Hipona, 28 de agosto de 430), foi um bispo, escritor, teólogo, filósofo e é um Padre latino e Doutor da Igreja Católica. É uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. Em seus primeiros anos, foi fortemente influenciado pelo maniqueísmo e pelo neoplatonismo, mas depois de tornar-se cristão (387), ele desenvolveu a sua própria abordagem sobre filosofia e teologia e uma variedade de métodos e perspectivas diferentes. Agostinho foi um autor prolífico em muitos géneros — tratados filosóficos, teológicos, comentários de escritos da Bíblia, além de sermões e cartas.

    73 Livros
    304 Seguidores
    Província da África, Império Romano

    Aurelius Augustinus