Jonathan Franzen, uma das revelações da literatura americana, conta uma saga contemporânea tragicômica, que vai de Nova York à Lituânia, e expõe dramas pessoais, crises conjugais e os conflitos que separam duas gerações de uma típica família dos Estados Unidos nos anos 1990. Sucesso de público e crítica, o romance recebeu o National Book Award 2001. As correções narra a história dos conflitos religiosos, geracionais e de costumes de uma típica família americana na última década do século XX. Nos Estados Unidos dos anos 1990, nada escapa ao olhar agudo do autor: a instabilidade do mercado financeiro, as promessas de bem-estar dos novos antidepressivos, a moral religiosa da velha geração e a ausência de escrúpulos dos jovens americanos.A família Lambert encarna a crise de valores da sociedade contemporânea. Alfred é um engenheiro ferroviário aposentado, teimoso e cheio de manias agravadas pelo mal de Parkinson recentemente diagnosticado. Enid é uma dona-de-casa comum. O casal, na faixa dos setenta anos, vive às turras numa pequena cidade do Meio-Oeste americano.Os três filhos foram para metrópoles da costa Leste a fim de se livrar da mediocridade da vida em família. Na Filadélfia, Gary, o mais velho, tornou-se banqueiro. Deprimido e paranóico, porém, acaba com o próprio casamento. A caçula, Denise, também mora na Filadélfia, onde é chef de cozinha, mas sua vida sexual tumultuada a faz perder o emprego. Em Nova York, Chip, o filho do meio, é um roteirista frustrado. Ao se envolver com uma aluna, arruína a carreira de professor universitário e vai parar na distante Lituânia, país imerso nas recentes transformações capitalistas do Leste europeu. Para contar essa história em que todos procuram incessantemente corrigir os rumos que imprimiram às próprias vidas, o autor usa uma prosa ácida, que expressa o embate entre mundos inconciliáveis: o universo conservador dos pais e o pragmatismo sem horizonte dos filhos. "Maravilhoso... Tudo o que se espera de um grande romance, exceto por um motivo: ele acaba." - The New York Times Book Review "À altura de Os Buddenbrooks, de Thomas Mann, e Ruído branco, de Don DeLillo... Uma realização notável" - Michael Cunningham
As correções -
Jonathan Franzen
Jonathan Franzen aprofunda as personalidades e os problemas de todas as personagens explorando, em detalhes, a história de cada um e a maneira com que se relacionam. É como se o narrador se fundisse a eles sutilmente para assim mostrar ao leitor seus pensamentos mais íntimos, e a cada nova informação liberada, mais ainda se percebe a agonia das personagens e a certeza de que, uma hora ou outra, todo esse material inflamável reunido em um espaço tão pequeno entrará em combustão. A família tradicional, próspera e bonita que Enid tanto lutou para construir à imagem de seus vizinhos de classe média alta irá desabar permanentemente. Mas Franzen consegue, de algum modo, manter os pedaços dessa família unidos e o leitor atento a todo esse drama. A união está na vontade que sentem de acertar as contas uns com os outros para, assim, corrigirem todos os problemas que atrapalham suas vidas e suas relações. Na vontade, na verdade, dos filhos que pensam e vivem de forma tão diferente de seus pais, que seguiram rumos de certa forma contrários daquilo que Enid, principalmente, esperava de sua família que representa o típico lar norte-americano. A impossibilidade de ela aceitar essas diferenças, jogando aos ares seus julgamentos antiquados tentando manter a imagem que sempre sonhou que sua família deveria ostentar de riqueza, requinte, prosperidade e união. O que seu marido não ajuda nem um pouco conforme é mais e mais consumido pela doença degenerativa. O materialismo, a sexualidade, o egocentrismo, a competitividade e a teimosia de cada membro dessa família é trabalhado por Franzen para atingir e causar reações que revelem e incrementem ainda mais os seus problemas. O romance todo é tomado por essas relações conflituosas muito bem apresentadas ao leitor e que os fazem reconhecer e tomar partido dessas personalidades, sem conseguir vislumbrar um desfecho que não seja trágico. Surpreendentemente, ele encerra essa história de forma bem pacífica, com as correções devidamente instauradas nessa família, mas isso não significa que todos tenham seus finais felizes. Afinal, quanto pode durar esses tempos pacíficos até a próxima crise? Eis um romance dividido entre a complexidade do tema – as relações familiares ameaçadas pela sua decadência – e a facilidade da leitura, que rapidamente conquista o leitor com os dramas da família Lambert, traga toda a sua atenção para a tristeza e incompreensão que habitam o livro. Nenhuma família é perfeita, não o tempo todo, e o contraste entre as expectativas e a rigidez de Enid e Alfred com a liberdade ansiada pelos seus filhos dá vida ao livro. É por isso que essa ficção parece tão verdadeira e humana.
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