Naqueles morros, depois da chuva - O jogo do Diabolô

    Edival Lourenço

    Hedra
    2011
    234 páginas
    7h 48m
    ISBN-14: xxxxxxxxxxxxxx
    Português Brasileiro

    "“Naqueles Morros, Depois da Chuva” é um Road Book. Sua trama se desenvolve no decorrer da longa jornada entre São Paulo de Piratininga e o arraial de Santana, feita pela comitiva liderada pelo governador Luis de Assis Mascarenhas. Sua missão é preparar a região das Minas dos Goyazes para receber sua autonomia administrativa. Para ajudá-lo na tarefa vai o descobridor das minas, Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera em carne, osso e chapelão. Junto aos dois, caminha uma galeria de personagens coadjuvantes, incluindo o narrador da história: um filho bastardo do Anhanguera. Curiosamente, trata-se ao mesmo tempo de um narrador em primeira pessoa e onisciente. Um traço de estilo que chama atenção nessa nova proposta literária de Lourenço. Para Anhanguera “os bastardos não se contam”. De fato a delicada questão da bastardia é um assunto recorrente no livro. Um de seus mistérios. O ritmo da narrativa é ditado, segundo a vontade do autor, pelo ritmo da jornada da comitiva. Às vezes mais rápida, às vezes mais lenta. Uma odisseia no cerrado. O enredo sustenta-se, sobretudo, na relação entre os personagens, expostos em suas personalidades, ora conflitantes, ora em colaboração, como seria de se esperar estando eles numa situação limite. Uma viagem com essa, no século XVIII, com todos seus problemas logísticos e perigos, não era mesmo algo simples. Lourenço soube descrever essa dificuldade. Isso não é apenas pesquisa, é senso de escrita dramática." (trecho da resenha "Futuro do Pretérito", escrita por Ademir Luiz, para o Jornal Opção, de Goiás)

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    Daniel Bueno da Silva picture
    Daniel Bueno da Silva18/07/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Uma viagem pelos sertões das Minas de Goyazes

    Naqueles Morros Depois da Chuva é uma obra que, com rara sensibilidade e domínio da linguagem, nos conduz pelas veredas do sertão goiano e pela alma de seus habitantes. O autor, Edival Lourenço, recria com vigor e lirismo um Brasil profundo, esquecido nas dobras do tempo e do território, onde a terra rachada, cheiro da chuva e busca por ouro marcam o ritmo da vida. A escrita é rica, densa e extremamente visual. A narrativa nos coloca no meio do comboio que parte rumo ao Arraial de Nossa Senhora de Santana. Há uma espécie de realismo poético em cada parágrafo: o autor costura com maestria elementos geográficos, culturais e humanos para criar um retrato vívido do sertão e das contradições brasileiras. Mesmo os trechos que refletem valores hoje ultrapassados servem como janelas históricas, oferecendo ao leitor uma compreensão e ilustração da mentalidade da época e das estruturas sociais que moldaram muitas comunidades do interior do Brasil. Vale muito a pena a leitura!

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