Guerra -

    Sebastian Junger

    Intrínseca
    2011
    272 páginas
    9h 4m
    ISBN-13: 9788580570564
    Português Brasileiro

    Durante quinze meses Sebastian Junger acompanhou um pelotão de infantaria do Exército dos Estados Unidos baseado numa remota área do leste do Afeganistão. A intenção era ao mesmo tempo simples e ambiciosa: transmitir a experiência dos que lutam em um campo de batalha, contar como se sente quem participa de uma guerra. O autor dirigiu com Tim Hethertington o documentário Restrepo, vencedor do Grand Jury Prize no festival de Sundance, além de indicado ao Oscar 2011 na categoria documentário. Guerra descreve, com sagacidade e emoção, uma experiência de vida que há milênios tem sido um ritual destinado aos jovens e fortes: algo que poucos de nós, no conforto de nossas rotinas, realmente compreendemos, e que continua sendo uma prova definitiva de caráter.

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    Afonso P04/09/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A vida de soldados americanos no Vale do Korengal - Afeganistão

    Para começar, o título "Guerra" e a capa da edição nacional são pretensiosos em sua simplicidade. Um título como "Linha de Frente" ou "Combatentes Modernos" seria mais apropriado pois o foco da obra é uma companhia de soldados, lotada em uma região muito específica de uma guerra absolutamente diferente das tradicionais. No entanto, Sebastien Junger, que passou 15 meses junto a companhia Battle na região de conflitos mais intensos do Afeganistão, se mostra um cronista de olhar muito aguçado para retratar a rotina de um grupo de homens em todas os seus aspectos. Admitindo que percorreu uma linha tênue entre se envolver emocionalmente com os soldados e a descrição objetiva do que presenciou, o autor dedica páginas a informar como as tarefas eram distribuídas, como dormiam, comiam, se lavavam e como era a relação com os habitantes locais. Com a exceção de um ou dois casos, a condução da narrativa não se empenha em montar perfis mais completos dos soldados com quem conviveu, e essa objetividade faz com que os, digamos, dramas pessoais de cada um deles não se sobressaiam em relação às do grupo. Inclusive, é nessa aparente superficialidade no tratamento do Indivíduo que o autor capta de forma mais precisa o real sentido daqueles homens estarem correndo risco de morrer em condições de conforto mínimas e combatendo por uma causa pouco compreensível. Em tempos individualistas como os nossos, conhecer a história de soldados que colocam o grupo (no caso a companhia Battle) em primeiro lugar em todos os aspectos, é um privilégio. E independentemente da concordância ou não sobre as razões da dita Guerra ao Terror, a percepção de muitos de que a guerra atual é praticamente jogada como um videogame pelos americanos cai por água após a leitura dessas páginas. E outro ponto forte do livro de Junger é que os melhores capítulos são os últimos, nos quais o autor descreve batalhas sangrentas ao mesmo tempo em que menciona teorias clássicas sobre o comportamento de combatentes no front de guerra. Raras vezes me deparei com tamanh quantidade de informação entremeada com sequências de ação de tirar o fôlego como no fim desse "Guerra".

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