Muito se fala da legitimidade do título mundial do Palmeiras, a Copa Rio de 1951. Para resgatar essa importante conquista, o jornalista Fernando Galuppo resolveu esmiuçar novamente o passado do clube e contar a verdadeira história desse título.
Baseado em depoimentos de pessoas, jornais e revistas da época, o livro Palmeiras – Campeão do Mundo 1951 conta como foi esse campeonato e qual era a sua importância na época. Organizado pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF), a Copa Rio contou com apoio total da FIFA, entidade máxima do futebol mundial.
Antes de falar do mundial, o autor relembra os quatro títulos seguidos que o Palmeiras conquistou na época (o quinto foi o próprio mundial, onde ficou conhecido como o time das “5 coroas”). Essas conquistas foram: Taça São Paulo (1950), Paulista (1950), Rio -São Paulo (1951) e Taça São Paulo (1951).
No mundo todo, a Taça Rio ficou conhecida como o primeiro campeonato mundial interclubes. O Palmeiras, multicampeão na época, representou o Brasil, assim como o Vasco, então campeão carioca (vale lembrar que não existia ainda o Campeonato Brasileiro e os estaduais de São Paulo e do Rio eram os mais importantes do Brasil).
Os outros convidados foram: Juventus, campeã italiana de 1950 e favorita ao título mundial; Olympique de Nice, campeão francês da temporada 1950-51; Estrela Vermelha, então tricampeão da Copa da Iugoslávia (1948, 1949 e 1950) e campeão iugoslavo em 1951; Áustria Viena, então bicampeão austríaco (1948-49 e 1949-50); Nacional, campeão uruguaio de 1950 e o Sporting, sete vezes campeão da Liga Portuguesa nos últimos oito anos.
Na primeira fase, o Palmeiras venceu o Olympique de Nice, por 3 a 0 e o Estrela Vermelha por 2 a 1. O revés veio contra a Juventus, por 4 a 0. Nas semifinais, encontro brasileiro com o Vasco da Gama. O Palmeiras venceu por 2 a 1 o primeiro jogo e segurou o empate em 0 a 0 no segundo.
No primeiro jogo da final contra a Juventus, o Palmeiras venceu por 1 a 0, gol de Rodrigues. A decisão ocorreu no dia 22 de julho de 1951. Cerca de sete mil carros foram registrados saindo de São Paulo a caminho do Rio de Janeiro. Após ficar à frente do placar duas vezes, a Juventus não segurou a força alviverde e sofreu novamente o empate, feito por Liminha, aos 32 minutos do segundo tempo. Próximo ao fim do jogo, exorcizando a final perdida da Copa do Mundo no ano anterior e no mesmo Maracanã, a torcida gritava “Brasil! Brasil”. Após o apito final, muitos abraços e choro e alegria.
Jornais do mundo inteiro, na época, declararam que o Palmeiras foi o primeiro campeão mundial interclubes. A repercussão foi enorme em todo o planeta. Antes de ler o livro, já considerava que o Palmeiras era campeão do mundo. Agora, então, eu cravo sem medo de errar: Palmeiras, campeão mundial de 1951!