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    Os livros e os dias - Um ano de leituras prazerosas

    Alberto Manguel

    Companhia das Letras
    2005
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-10: 8535906525
    Português Brasileiro
    4.1
    104 avaliações
    Leram154Lendo8Querem304Relendo1Abandonos0Resenhas13
    Favoritos22Desejados304Avaliaram104

    Os livros e os dias atesta a paixão de Alberto Manguel pela literatura como uma comunidade imaginária onde convivem e trocam ideias escritores e personagens de várias épocas e lugares. De Cervantes a Machado de Assis, os romancistas mais díspares permeiam as reflexões do autor sobre a vida contemporânea. Os livros e os dias é uma obra singular, que combina o diário pessoal e a crítica literária, fazendo com que a literatura ilumine a vida cotidiana e vice-versa. A cada mês, durante o período entre junho de 2002 e maio de 2003, Alberto Manguel escolheu um grande romance para reler e comentar em seu diário. Suas impressões de leitura se entrelaçam com lembranças pessoais, observações sobre o dia-a-dia, reflexões sobre o mundo contemporâneo e, principalmente, remissões a livros e autores. Assim, o romance fantástico A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares, lança uma luz inesperada sobre a Argentina pós-hecatombe que Manguel reencontrou em junho de 2002, depois de uma longa ausência. Já Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, leva o autor a refletir sobre o papel do leitor na constituição da obra literária. Do mesmo modo, o Dom Quixote, de Cervantes, ajuda a pensar sobre a loucura contemporânea e os diversos fundamentalismos vigentes. Cada obra remete a outras obras, cada personagem a outros personagens, num processo infinito de alargamento de horizontes. A boa literatura, para o autor, sempre tem alguma coisa a dizer a cada época e leitor. Distante da esterilidade acadêmica, a erudição de Manguel é prazerosa, sedutora e desprovida de preconceitos. Em sua biblioteca, Arthur Conan Doyle ocupa um lugar tão nobre quanto Goethe e Machado de Assis. Em Os livros e os dias o leitor brasileiro reencontra a prosa fluente e cristalina do autor de Uma história da leitura. Aqui, num registro mais pessoal, as preocupações do autor com as grandes questões contemporâneas - a guerra, as transformações da vida cotidiana, a crise de valores - são examinadas e interpretadas pelo filtro da literatura, com a ajuda dos escritores de todas as épocas. Cervantes, Kipling, Dino Buzzati, Sei Shonagon, Chateaubriand, H. G. Wells, Kafka e Borges são algumas das vozes que se fazem ouvir nessas páginas.

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    Arsenio Meira22/06/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    "Veneno antimonotonia" e Muito Mais

    "Os livros e os Dias" é, a um só tempo, declaração de amor à leitura e registro da importância dos livros; um "veneno antimonotonia". Guardar os livros como neste verso do poeta, filosofo e letrista Antônio Cicero: "Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro/ Do que de um pássaro sem vôos." Durante um ano (de junho de2002 a maio de 2003), Alberto Manguel escolheu 12 livros que considerava importantes na sua formação como leitor-escritor, para usar sua própria definição, e os releu, no ritmo de um por mês. Enquanto lia, anotava suas impressões, sempre relacionando com outros livros e tentando enxergar o cotidiano com a preciosa ajuda das suas leituras. Em dado momento, conclui que um livro sempre leva a outros, em uma progressão semelhante a uma bola de neve montanha abaixo. Em forma de diário, as anotações de Manguel revelam ora seu encantamento ora toda a acuidade do seu espírito crítico. Ao comentar "O signo dos quatro", uma das novelas de ficção policial protagonizadas por Sherlock Holmes, ele assume sua posição pacifista e contrária ao totalitarismo e ao estado policial vigente nos Estados Unidos, a partir da prosa de Conan Doyle, para quem tudo aquilo que não fosse britânico era pervertido ou exótico. Em suas anotações, o escritor constrói reflexões usando comentários sobre o livro “do mês”, recordações ou impressões de fatos reais e memórias de outros romances ou ensaios lidos em momentos diferentes da sua vida. Em julho de 2002, por exemplo, foi a vez de "A ilha do dr. Moreau." Manguel define o autor, H.G. Wells, como “extraordinário criador de nomes” e demonstra isso com a expressão “A Casa da Dor”, quando um dos personagens define os uivos de um animal agonizante como “extraordinária expressão de sofrimento”. Deste ponto, nos leva até sua terra natal, a Argentina, e constrói a cínica imagem de um militar, um torturador que confessou ter se acostumado com a “expressão de sofrimento” das suas vítimas. Sempre com a dor em mente, deixa para trás a ditadura argentina e volta à literatura, onde encontra num trecho de Tempos difíceis, de Charles Dickens, uma “dor, em algum lugar da sala”. Essa estrutura, usada sempre na dose certa, conduz o leitor por temas complexos, apresentados de forma enxuta e além da superfície. Por vezes, são alfineitadas que instigam o leitor a sair da zona do conforto e passar a pensar um pouco sobre temas tão necessários quanto incômodos. Os livros e os dias é um livro para quem gosta de ler, aquele leitor que lê em todos os lugares e alimenta mil manias em sua biblioteca. Um livro para que pessoas não se sintam sozinhas.

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    Alberto Manguel

    Nasceu em 1948, em Buenos Aires, e é hoje cidadão canadense. Passou a sua infância em Israel, devido ao seu pai ser embaixador argentino nesse país. Completou os estudos no Colégio Nacional de Buenos Aires, nunca chegando a frequentar qualquer curso universitário. Em 1968 transferiu-se para a Europa e, à excepção de um ano em que esteve de volta a Buenos Aires, onde trabalhou como jornalista para o periódico La Nación, viveu na Espanha, França, Inglaterra e Itália. Enquanto esteve na Europa ganhou a vida como leitor para várias editoras como a Gallimard, Denöel, Les Lettres Nouvelles, em Paris, Calder & Boyars em Londres e exerceu o cargo de editor estrangeiro na Editora Franco Maria Ricci em Milão. Autor de livros de ficção e não ficção, também contribui regularmente para jornais e revistas do mundo inteiro. Atualmente vive em Buenos Aires, onde é diretor da Biblioteca Nacional.

    35 Livros
    91 Seguidores
    Buenos Aires, Argentina

    Alberto Manguel