Elias Canetti é um fofoqueiro do bem. Nesse livro de ensaios, vários deles são dedicados a falar de personalidades que foram muito importantes para ele e/ou para o mundo. Não se atém apenas a falar de pessoas, mas também de outas coisas pertinentes a literatura e a escrita.
São 15 ensaios. Alguns curtos, outros longos e o maior de todos: "O outro processo. Cartas de Kafka a Felice" é o maior de todos com quase 100 páginas. Esse ensaio me fez demorar quase um ano só nele. Fiquei tão angustiada com a essa relação, Kafka e Felice, que eu precisei ler duas obras do Kafka (A metamorfose e Carta ao pai) para conseguir terminar de ler. Kafka foi abominável com a Felice, o que hoje chamaríamos de "tóxico".
Vale muito a pena a leitura, pois tira aquela ideia de coitadinho que muita gente tem sobre o Kafka.
Além desse ensaio, alguns outros me marcaram muito também.
"Hitler, por Speer" é magnifíco. Canetti, que tem um livro só falando sobre a manipulação da massa (Massa e Poder, 1960) traz conceitos interessantes sobre a forma de conduzir a guerra de Hitler.
"Tólstoi, o último antepassado" apesar de muito curitnho, também é maravilhoso. Instigou em mim a vontade de ler a biografia dele para conhecer mais desse escritor tão único.
"Diálogo com o interlocutor cruel" e "O ofício de poeta" com certeza me marcaram, uma vez que tenho interesse em escrever. O primeiro fala sobre os tipos de escrita e como nós mesmo somos o nosso pior interlocutor. Além disso, me motivou a escrever diários (apesar d'eu falhar miseravelmente). O outro (último ensaio do livro) trouxe tanta reflexão sobre a importância da resistência ao pensamento vazio e superfluo da nossa atualidade, que eu fiquei encantada com a exposição do Canetti sobre os clássicos.
O homem não ganhou o Nobel por nada, ele realmente é magnífico. Não vejo a hora de ler mais obra dele.