Foi o primeiro livro do Plínio Marcos que li e gostei de conhecer o autor e saber mais sobre o teatro político produzido na década de 1960. Plínio Marcos consegue fazer o leitor sentir à flor da pele os conflitos vividos por Tonho e Paco. A linguagem crua e marginal mostra as duas personagens presas em um ciclo de exploração, violência e desesperança. Uma das coisas mais angustiantes pra mim foi ver o quanto Tonho e Paco eram parecidos, viviam na mesma situação de miséria, mas mesmo assim foram socializados para nunca se apoiarem. É dolorido saber que em um sistema diferente, com oportunidades dignas, Tonho e Paco poderiam ter um destino diferente. Poderiam ser músicos, usar o sapato que bem entendessem e talvez até serem amigos.

