Ando muito viciado em livros policiais. Imagino que seja porque, depois de ler Formas Breves, um livro de ensaios de Ricardo Piglia, talvez o maior fã de Roberto Arlt vivo, uma frase ficou gravada na minha mente: o gênero policial é a nova tragédia grega. Vários dos grandes autores pós-modernos usam a estrutura policial desdobrando-a das mais variadas formas para construir as novas grandes obras ocidentais, e isso vai de Detetives Selvagens até Contra o Dia. Por isso, nada melhor do que conhecer as origens do gênero, e para isso temos esse livrinho do grande escritor argentino.
Robertinho é considerado o Lima Barreto (o próximo homenageado da Flip, finalmente né, aliás eu vou nesse ano, quem vem?) da Argentina, o que para mim não é pouca merda, já que Lima Barreto é o influenciador secreto de vários escritores maravilhosos dentro da literatura brasileira, e o mesmo acontece com Arlt em seu país, de acordo com Bolaño. Ambos foram julgados como escritores ruins na sua época, o clássico incompreendido, justo por não ficar enrolando e atacar o problema de frente, e isso de todos os modos possíveis, tanto na estilística quanto na política e na sociedade. Conviveram com marginais e escreveram sobre eles, e,m por essa falta de medo do que a academia pensa, Arlt foi o primeiro a trazer o gênero policial, considerado menor durante muito tempo, para a América Latina.
Mas apesar dessa punheta toda, quando você pega a obra para ler, ela não tem nada de mais. São uns sete contos com uma estética até moderna (nada de quarto fechado e detetives cabeçudos), mas nenhum acrescentando muito à sua vida como leitor. A escrita tem um ar de comum: não é demasiadamente seca como Hemingway, não é floreada como Joyce, não enche linguiça informacional como Mann, e às vezes soa até como canastrona, o que pode resultar em algo cômico, como visto no final do primeiro conto, ou pode ajudar a não manter a rigidez, que é o caso do segundo conto onde a tensão é alta desde a primeira frase.
RESENHA COMPLETA NO BLOG: http://ourbravenewblog.weebly.com/home/resenha-armadilha-mortal-roberto-arlt