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    Infâmia -

    Ana Maria Machado

    Alfaguara
    2011
    280 páginas
    9h 20m
    ISBN-13: 9788579620645
    Português Brasileiro
    3.7
    110 avaliações
    Leram156Lendo13Querem136Relendo0Abandonos13Resenhas7
    Favoritos9Desejados136Avaliaram110

    Em Infâmia, romance inédito de Ana Maria Machado, a escritora questiona os artifícios e as calúnias que com tanta frequência encobrem a verdade no mundo atual. O romance narra duas histórias em paralelo, centradas numa família de diplomatas e seus amigos mais próximos. Manuel Serafim Soares de Vilhena é um embaixador aposentado, patriarca de uma família bem-sucedida de diplomatas. Com problemas de visão, aguarda o agendamento de uma cirurgia. Enquanto isso, Camila, a filha de um casal de amigos, o visita com frequência, para ajudá-lo a ler livros e jornais. Tudo parece bem na casa dos Soares de Vilhena. Mas o aparecimento de um envelope com documentos antigos traz à tona os fantasmas que há tempos assombram a família. Na pasta, há fotos e fragmentos de textos de Cecília, filha do embaixador, que morreu anos antes em circunstâncias misteriosas. Mas esse não é o único núcleo narrativo do romance: o embaixador recebe também as visitas de Jorge, um fisioterapeuta jovem, cujo pai, que trabalha numa repartição pública, é acusado injustamente de participar de um esquema de corrupção. Aos poucos, eles se verão presos a uma rede de falsas acusações, num turbilhão kafkiano que só pode levar à tragédia. Em Infâmia, Ana Maria Machado entrelaça fatos da história recente do Brasil em que a verdade, em meio a distorções e calúnias, nem sempre prevalece. O resultado é um livro coeso sobre as múltiplas faces da realidade nos dias de hoje.

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    Resenhas (7)Ver mais
    Juliana Manhães de França Rodrigues picture
    Juliana Manhães de França Rodrigues07/11/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Bela obra

    Infâmia é um romance contemporâneo que narra duas histórias em que a força da verdade é questionada e em como artifícios e comodismos em não questionar as coisas acabam encobrindo a verdade. Em cada história uma família é atingida de forma diferente, primeiro pela insinuação de algo não tão exato e em seguida pela inverdade. Cada caso é um caso, mas a narração em paralelo nos ajuda a enxergar mais detalhes de um e do outro. Num núcleo temos um embaixador aposentado que se sente desconfortável com a repentina morte da filha a alguns anos. Como ele pode não ter percebido a sua fragilidade? Como ele, leitor assíduo, não soube ler as evidências implícitas no comportamento de sua filha? Uma pasta com fragmentos do cotidiano da sua filha lhe foi recentemente entregue, o que abre um desconforto e uma desconfiança nele e em sua esposa de que o que lhes foi contado durante os últimos anos não era bem a verdade. No outro arco um pequeno funcionário público se vê incomodado por pequenos incidentes no trabalho que vão crescendo e o levam de intrigado e relator de desvios a acusado injustamente de corrupção. "Estava aprendendo. Uma lição inesquecível: o crime compensa, a inocência é punida. Vivia num país sem pena. Sem pena para criminosos. Sem pena das vítimas." - pag. 249 As histórias se tocam, se complementam e trazem para o cotidiano a pesquisa de fundo realizada pelo neto do embaixador sobre as falsas verdades que escandalizam e danificam pessoas e imagens mesmo depois de terem sido desmascaradas. O texto tem uma leitura rica e gostosa, que nos faz parar para refletir em algumas coisas como na importância de questionarmos e não aceitarmos placidamente o que nos é vendido como verdadeiro. Um ótimo livro nacional! Dou 4,5 estrelas.

    4 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 110
    • 5 estrelas23%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas11%
    • 1 estrelas4%
     Ana Maria Machado profile picture

    Ana Maria Machado

    O jornalismo foi abandonado no ano de 1980, para que a partir de então Ana pudesse se dedicar ao que mais gosta: escrever seus livros, tantos os voltados para adultos como os infantis. E assim foi feito, e com tamanho sucesso que em 1993 ela se tornou hors-concours dos prêmios da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Finalmente, a coroação. Em 2000, Ana ganhou o prêmio Hans Christian Andersen, considerado o prêmio Nobel da literatura infantil mundial. E em 2001, a Academia Brasileira de Letras lhe deu o maior prêmio literário nacional, o Machado de Assis, pelo conjunto da obra. Em 2003, Ana Maria foi eleita para ocupar a cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras, substituindo o Dr. Evandro Lins e Silva. Pela primeira vez, um autor com uma obra significativa para o público infantil havia sido escolhido para a Academia. A posse aconteceu no dia 29 de agosto de 2003, quando Ana foi recebida pelo acadêmico Tarcísio Padilha e fez uma linda e afetuosa homenagem ao seu antecessor.

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    Ana Maria Machado