Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições1
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas1
    • Leitores32
    • Similares0
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Lugar público -

    José Agrippino de Paula

    Civilização Brasileira
    1965
    218 páginas
    7h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.3
    9 avaliações
    Leram7Lendo2Querem23Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados23Avaliaram9

    Um livro original, repleto de inovações, que despreza as regras comumente aceitas da narrativa romanesca, impondo-se pelo seu poderoso fabular, que nos proporciona o exato retrato de um mundo caótico. Uma obra que introduz a nossa ficção no plano do nouveau roman, sem jamais abandonar, no entanto, as coordenadas brasileiras que a inspiraram. "Estamos diante do que de mais moderno existe em matéria de ficção" — afirma Carlos Heitor Cony, com sua responsabilidade de romancista consagrado e de homem incapaz de juízos precipitados.

    Edições (1)

    Ver mais
    • book cover
    Resenhas (1)Ver mais
    Matheus Petris picture
    Matheus Petris12/10/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    “Longe de respeitar formas imóveis, cada novo livro tende a constituir suas leis de funcionamento ao mesmo tempo em que produz a destruição delas mesmas.” – Alain Robbe-Grillet Logo nas primeiras páginas de Lugar Público, nos confrontamos com um estranhamento revestido de incompreensão; o qual, progressivamente, será talhado com mais estranhamento, enquanto a incompreensão se deslocará do estranho para criar asas. O sentido, o fim, o objetivo, ou seja, a compreensibilidade narrativa não tem razão de ser nesse romance. Aqui, desbravamos a alucinação. Se tem caráter surrealista, pouco convém versar sobre, afinal, a experimentação absoluta & absurda, tem, em Agrippino, uma total aversão a modelos e nomenclaturas. Eis a encruzilhada. Fui pretensioso. No início, a qualquer custo, desejava desenhar possibilidades, como se fosse possível rabiscar presságios sem que a ponta do lápis se estilhasse. Na minha soberba lógica-racional, tentei desvelar os narradores, ou melhor, suas diferentes narrativas. Na intenção de localizar padrões ou uma trilha demarcada, deparei-me com uma selva. Me sujei daquilo que não conheço. Aterrado fui me aterrar. Só ler. Nada mais. Já me ensinara Machado de Assis: “O melhor que há, quando se não resolve um enigma, é sacudi-lo pela janela fora.”. Ou melhor, eu quem havia criado o enigma. Havia esquecido de outras lentes de Agrippino. Afinal, seu olhar enquanto cineasta, também sacode, assombra, recalcitra. E fica. O espectador é o mesmo — o espírito é aquele. Se embalemos pelas imagens. As imagens d’Elê, o narrador-personagem que vislumbramos, sempre à espreita, comunica tanto, que se for apagado, restará o lampejo desse tanto. Lampejo que risca marcas em brasa. Assopremos este fragmento, cintilante e infinito. O protagonista é um Eu cambaleante, apático, inerte, sofrendo de forma cíclica (pela construção textual) & infinita. Seu afago, ou melhor, sua fuga, é através das telas de cinema. Em meio aos problemas familiares, a ditadura militar eclodindo, as amizades tão cambaleantes quanto, e a própria ideia de amor é rarefeita. Ele tenta, mas nada o faz vibrar, seu corpo parece esfriar a cada página, a cada relato, a cada sonho. Ou eu estou interpretando a personagem em demasia? Afinal, seu passado é turvo, descrito de forma repetitiva. Suas memórias, chagas indeléveis? São, nas palavras dele, “Frases interrompidas. Irrealidade absoluta de minha vida presente, irrealidade da vida futura, irrealidade da vida passada.” A própria descrição dos espaços contempla uma sinestesia anestésica, sufocante. Em determinados momentos de cunho realista, enquanto em outros, de total alucinação. Todavia, não são contraditórias; afinal, são complementares na medida em que a antropofagia oswaldiana deglute tudo & todos. E exprime esse único. Penso, nos produtos importados, quase sempre escritos em itálico, em tom jocoso, ou nos tantos filmes vistos e não vistos, na dublagem não feita, no Papa enquanto personagem libertino, na filosofia metafísica, mas também na filosofia de buteco... Entre tantos outros elementos que viriam a chegar ao paroxismo em seu romance procedente, PanAmérica, publicado dois anos depois. Retomando o Agrippino cineasta, muitas dessas descrições, aliadas a cenas dramatizadas (a lembrar que Agrippino têm forte raízes teatrais), são organizadas em prol de uma montagem que claramente é possível aproximá-la da montagem cinematográfica, num jogo de imagens que são lançadas e organizadas, para posteriormente, serem aniquiladas, afinal, outra coisa a lembrar, o próprio cinema de Agrippino tem seu caráter anti-linear, fragmentário e disperso – e isso não significa aleatoriedade. Não podemos resumir por elipses, nem por analepses, mas por um imbricamentos delas e de uma contemplação do presente, do apenas ser & estar: “Eu estou preso ao imediato. Este instante. Este instante. Os ruídos isolados da máquina de escrever. O presente faz com que eu…” Advirto: não estou buscando sentido e/ou interpretando os estilhaços. Explico-me. Perto do fim do livro, Agrippino afirma: “As frases que escrevo são de três tipos: uma que pretende dizer algo, outra que não pretende dizer e uma terceira que encobre o que deve ser dito.” Pensemos em como isso se relaciona com a construção de sua narrativa. Uma das vozes é escrita em primeira pessoa, através dos olhos e experiências cotidianas do protagonista que só conhecemos por Ele. Uma outra, um narrador onisciente em terceira pessoa que nos relata acontecimentos de várias personagens, inclusive o próprio protagonista. A terceira das vozes, é de uma linguagem onírica. Espremendo sonhos, revelam-se absurdos ainda mais intensos do que a realidade já absurda. Ainda, pode-se situar uma quarta, numa espécie de mistura fronteiriça entre autor-personagem-narrativa: um amálgama que parece tomar corpo e conversar com o leitor. Quem é o autor? Quem é a personagem? Quem é o narrador? Talvez, todos se situem nos vazios internos de uma esfinge. Na realidade, através de meus questionamentos e da ideia de “absurdo”, constatei o choque de um romance avesso a sua tradição – e não o digo num sentido pejorativo. Pois, aquele que admira a tradição, buscará sempre a inovação, ou, como nos disse (mais ou menos) T.S Eliot: a lapidação de seu talento individual. No primeiro contato, a perceber pelo início deste ensaio, eu parecia acreditar justamente no oposto do que esse romance se mostrou, naquilo que Robbe-Grille em seu ensaio “Um caminho para o romance do futuro”, indagou: “uma nova forma sempre parecerá, mais ou menos, uma ausência de forma.” Afinal, “mesmo o observador menos condicionado não consegue ver com olhos livres o mundo que o cerca.” Ainda citando Grillet, ao repassarmos tantos elementos solitários & contraditórios que flutuam nesse livro, eles “tem apenas uma qualidade séria, evidente: é a de estarem ali.” E eu lhes pergunto, é preciso mais do que isso? Atestem e tirem suas próprias conclusões.

    109 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.3 / 9
    • 5 estrelas33%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas22%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    José Agrippino de Paula e Silva profile picture

    José Agrippino de Paula e Silva

    José Agrippino de Paula e Silva (São Paulo, São Paulo, 1937 - Embu, São Paulo, 2007). Romancista, cineasta e dramaturgo. Em 1955, ingressa na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), junto com o cenógrafo Flávio Império (1935-1985), transferindo-se em seguida para a Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. Na nova faculdade envolve-se com o teatro e encena, em 1959, uma adaptação do romance Crime e Castigo, do escritor russo Fiodor Dostoievski (1821-1881), na qual trabalha como ator, diretor e cenógrafo. Retorna a São Paulo, em 1965, onde publica seu primeiro romance, Lugar Público. No mesmo ano, por intermédio do artista plástico José Roberto Aguilar (1941), conhece a bailarina Maria Esther Stockler (s.d.-2006), sua companheira por toda a vida. Em 1967, publica sua obra mais importante, o romance PanAmérica. Escreve e dirige em parceria com Maria Esther diversos espetáculos teatrais, entre os quais se destaca Rito do Amor Selvagem, de 1969. No mesmo ano, dirige o filme Hitler III Mundo. Pressionados pela ditadura militar, Agrippino e Maria Esther fogem do Brasil, em 1971, e passam a década de 1970 viajando pelo mundo e produzindo pequenos documentários, com uma câmera super-8. Nessa época, o escritor dedica-se ao romance Terracéu, sobre o qual há pouquíssimas informações. De volta ao país, em 1980, Agrippino é diagnosticado como esquizofrênico e passa a viver isoladamente no município de Embu, na Grande São Paulo. Até sua morte, escreve compulsivamente, em 173 cadernos numerados, outro romance, também inédito, chamado Os Favorecidos de Madame Estereofônica.

    5 Livros
    0 Seguidor
    São Paulo, Brasil

    José Agrippino de Paula e Silva