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    Dez e meia da noite no verão -

    Marguerite Duras

    Editora: Guanabara
    1986
    138 páginas
    4h 36m
    ISBN-10: 8570300719
    Português Brasileiro
    3.9
    13 avaliações
    Leram30Lendo1Querem18Relendo0Abandonos1Resenhas3
    Favoritos1Desejados18Avaliaram13

    Dez e meia da noite no verão é o relato alucinado de um grupo de pessoas em viagem de férias pela Espanha. O que por aqui se passa, neste autêntico trabalho de angústia, desespero e solidão, é Duras do mais puro e acutilante, entre a agilidade e o rigor das observações, num plano literário verdadeiramente superior.

    Edições (4)

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    Resenhas (3)Ver mais
    Alice Reis picture
    Alice Reis19/06/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Curto, porém intenso.

    A trama se desenrola em uma só noite em uma pequena cidade à beira-mar, na Espanha, onde o casal Marie e Pierre, a filha Judith e Claire (uma amiga do casal) esperam o último trem para Paris. Ao longo das horas, segredos são revelados, relacionamentos são testados e destinos se cruzam de maneiras inesperadas. Duras cria uma teia complexa de enredos amorosos, explorando as complexidades das relações interpessoais e os desafios enfrentados pelos amantes. Uma das características marcantes desse romance é a maneira como Duras captura os sentimentos mais profundos de seus personagens, expondo suas vulnerabilidades e desejos ocultos. Através de sua prosa poética e atmosférica, ela transporta os leitores para um mundo carregado de intensidade emocional, uma vez que até o cenário é utilizado pela autora como um elemento simbólico poderoso. A pequena cidade à beira-mar, com suas paisagens deslumbrantes e sua atmosfera carregada, reflete as emoções intensas dos personagens. O ambiente se torna quase um personagem por si só, contribuindo para a construção de uma atmosfera melancólica e apaixonante. Duras expõe os conflitos internos dos personagens, suas lutas contra a solidão e a necessidade de se conectar com o outro. Tenho que destacar também a forma como ela descreve os momentos de intimidade com uma honestidade brutal, revelando tanto a beleza quanto a complexidade das relações amorosas. Ao fazer isso, ela nos convida a refletir sobre nossas próprias experiências e nos faz questionar a natureza das relações interpessoais. Em resumo, "Dix heures et demi du soir en été" é uma obra que nos envolve com sua narrativa intensa e quase alucinante, eu diria. Ao finalizar a leitura de "Dix heures et demi du soir en été", somos deixados com uma sensação duradoura, com perguntas e reflexões que ecoam em nossa mente. É essa capacidade de envolver e provocar os leitores que faz de Marguerite Duras uma autora cujas obras continuam a ser apreciadas e estudadas pela profundidade de suas mensagens e pela qualidade de sua escrita.

    7 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 13
    • 5 estrelas38%
    • 4 estrelas15%
    • 3 estrelas38%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas8%
    Marguerite Duras profile picture

    Marguerite Duras

    Marguerite Duras (pseudônimo de Marguerite Donnadieu) nasceu em 1914, em Gia Dihn (Vietnã), onde passou sua infância e adolescência. Após a morte do pai , em 1918, a mãe de Duras conseguiu uma pequena concessão de terra no Camboja (então colônia francesa), mas o terreno se mostraria incultivável e sua família viria a perder quase tudo com a chegada das enchentes. Esses dias na Ásia marcaram profundamente a vida de Duras. É a respeito dessa época uma de suas obras mais importantes, Barragem Contra o Pacífico (1950). O seu pai morreu quando tinha quatro anos de idade, e a sua mãe, uma professora, lutou arduamente para criar três filhos sozinha. Durante a adolescência, Marguerite Duras teve um caso com um homem chinês rico e retorna mais tarde a este período nos seus livros (nomeadamente O Amante e O Amante da China do Norte). Aos 17 anos viajou para França, onde estudou Direito e Ciência Política no Sorbonne, formando-se em 1935. Durante a II Guerra Mundial, marguerite Duras tomou parte da da Resistência Francesa, filiando-se também no partido comunista. Duras publica os seu primeiros livros em 1943 e 1944, Os Imprudentes e A Vida Tranquila, respectivamente. A partir de 1959 começa também a escrever argumentos para o cinema, dos quais Hiroshima meu amor é sem dúvida o mais conhecido e marcante. Em 1950, com Uma barrangem conhtra o Pacífico, Duras esteve muito próxima de ganhar o Prémio Goncourt. É no entanto apenas 30 anos depois que a injustiça lhe é reparada, ganhando o prémio por unanimidade com o romance O Amante. É uma autora muito fértil, com uma obra literária vastíssima, desde os romances aos argumentos cinematográficos. Afirma-se sempre com um estilo de beleza inconfundível, num tom duro e denso, por vezes até um pouco inacessível, mas sempre numa expressão profundamente genuína e humana das paixões, grandezas e misérias da vida. Marguerite Duras é por excelência uma escritora da condição humana, mas contudo não procura utilizar a escrita como forma de redenção e/ou salvação; antes, a escrita é uma exigência urgente, um valor supremo em que reside, uma vontade bruta de falar de si. As suas obras estão repletas de descrições belíssimas e soberbamente envolvidas na ambiência exótica da paisagem oriental, não sem deixarem reconhecer uma intensidade angustiada e desesperada, oriunda de uma constante luta da autora com as questões do amor e da morte. Durante a década de 1980, Marguerite Duras apaixona-se por Yann Andréa Steinner, um homem 38 anos mais novo. Duras viverá com Yann até à sua morte em 1996, mas não sem antes atravessar um duro período em que permaneceu junto do seu marida Robert Antelme, depois de este ter sobrevivido milagrosamente a uma captura pela Gestapo. Este período serviu de base para uma colecção de histórias curtas, intitulada A Dor (de 1985), um grito literário sobre a pressão sob que viveu.

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    Marguerite Duras