Quantos pecados tínhamos que pagar para atravessar o subterrâneo da mente, os rios infernais, suas cidades, monstros e demônios, até chegar do outro lado e ver o prazer de viver. Talvez os portais estejam fechados, talvez seja tarde para purificar a alma, talvez não tenhamos permissão para prosseguir adiante, estamos morrendo com as drogas e já não percebemos que o coveiro, aos poucos vai construindo nossa casa mas solidamente que o pedreiro; não percebemos que aquela cova será nossa morada eterna até o juízo final. “Uma enxada e uma pá bem resistente, Mais um lençol bem feito E uma cova de lama indiferente, Fazendo do hospede o leito.” (Shakespeare) Assim víamos as nossas madrugadas num retrato melancólico do vicio. Se era certo ou errado, ignoro, como ignoro a própria realidade. Simplesmente fechamos os olhos ante o desenrolar da catástrofe no espaço e no tempo de nossas vidas, gênios retraídos, personagens sobre efeito da bruxaria, por feitiços e drogas adquiridas de embusteiros, malditos mercadores de almas. "Jovem tão tímido, De espírito sossegado e calmo, Que corava De seus próprios anseios!"
O caçador de ilusões -
r. freitas
Lexia
2010
190 páginas
6h 20m
ISBN-13: 9788563557018
Português Brasileiro
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