Correspondance -

    Abélard et Héloïse

    Gallimard
    2000
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-10: 2070415287

    Figures emblématiques de la Renaissance du XIIe siècle ? Héloïse et Abélard sont bien de leur époque, marquée par une grande ferveur, un appétit nouveau de savoir et de débattre et, surtout, le goût de la liberté. Cependant leur singularité, source de tous leurs malheurs, en fait aussi un modèle d'époux s'aimant d'un impossible amour. De l'Histoire de mes malheurs aux règles monastiques données à l'abbesse du Paraclet, on mesure le chemin parcouru par cette extraordinaire et théâtrale histoire d'amour, élevée depuis au rang de mythe. De l'amour humain le plus brûlant à l'amour pour Dieu le plus épuré, c'est l'itinéraire entier de deux amants célèbres qui, contrairement aux autres éditions où l'on se limite aux lettres d'amour, est ici publié. Car li y a dans ces textes un double document : sur la passion et le couple, sur la vie des ordres religieux, encore à la recherche de leur règle.

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    Filino Carvalho Neto16/05/2018Resenhou um livro
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    Uma célebre história numa caprichadíssima edição

    Abelardo e Heloísa pairam no imaginário dos leitores como a perfeita representação dos percalços do amor e de sofridos apaixonados. Aqui e ali alguém relembra a mutilação sofrida por Abelardo e a admissão de Heloísa como religiosa como ruptura definitiva do casal. No entanto, quando nos detemos sobre a história envolvendo os dois amantes, lemos que as coisas não eram tão simples assim, tampouco que o romance entre os dois era algo como que sublime, pura e simplesmente. Pelo contrário: lemos, da própria pena dos autores, a satisfação dos prazeres carnais (sobretudo de Abelardo), a submissão de Heloísa e a sua adoração em relação àquele homem - que chega a ser posto, inclusive, à frente do próprio Deus, mesmo quando ela já enveredou pelo caminho religioso. Desse amor adveio um filho, chamado Astrolábio, que foi entregue à irmão de Abelardo. A mutilação (que, segundo essa edição, não atingiu o pênis de Abelardo, mas um pouco mais embaixo ) foi um plano levado a cabo pelo tio de Heloísa - o mesmo que acolheu Abelardo para que ensinasse à sua sobrinha. A entrada de Heloísa na vida religiosa é algo que merece menção: isso foi ideia do próprio Abelardo e foi o fator que desencadeou a fúria do tio. Pouco antes Abelardo e Heloísa haviam casado em segredo (tendo sido o próprio tio uma das testemunhas) e essa ideia de Abelardo soou, aos olhos daquele homem, como que uma tentativa do intelectual de "livrar-se" da jovem - daí o porquê de ter decidido pelo atentado. A própria Heloísa rejeitava firmemente a ideia de tomar o véu, como lemos nas duas de suas três cartas. Ela não via problema algum em continuar como "amiga" ou até mesmo ser chamada de "prostituta" (palavras dela) do célebre professor, em vez de ser conhecida como "esposa" do mesmo - que, como religioso, poderia ter a sua carreira bastante afetada. Desse modo, enxergamos através das duas cartas de Heloísa uma mulher totalmente dedicada ao homem que ama, adotando um tom surpreendentemente amoroso (e sensual) em suas cartas, mesmo depois de ter se tornado religiosa. Abelardo, nessa troca de correspondência, é que chama a atenção para a nova situação de sua antiga companheira e, nas respostas às duas primeiras cartas de Heloísa, evita ceder àquela paixão. A todo momento faz com que Heloísa enxergue a nova situação e abrace esse novo caminho. Daí, na terceira (e última) carta, vemos uma Heloísa que escreve um texto num tom completamente diferente dos anteriores, solicitando a Abelardo que a esclareça acerca das origens das congregações femininas, bem como que redija uma espécie de código de conduta para o seu grupo de mulheres que - o que Abelardo o faz com gosto, nas duas últimas cartas. Nestes dois documentos, estão presentes de modo mais forte as reflexões religiosas e as diversas remissões a autores cristãos antigos (notadamente Jerônimo), bem como os exemplos bíblicos e pagãos que se relacionam com o tema. Sobre a edição propriamente dita, vale mencionar que é extremamente cuidadosa: traz um prefácio de Étienne Gilson; apresenta diversas notas ao final do texto; possui ainda um dossiê acerca da legitimidade dessa correspondência, sua fortuna crítica, uma bibliografia selecionada (sobre Abelardo, seu tempo e a Idade Média), além de um pequeno dicionário de nomes dos autores e personagens citados nas cartas, com descrição sumária sobre eles. Imprescindível.

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