"O pequeno livro do grande terramoto" é, em si, também pequeno e grande.
Pequeno, pela bela e diminuta edição da Tinta da China Brasil, tornando-o super agradável de carregar para que possa ser lido aqui e acolá.
E grande por seu conteúdo.
O livro conta sobre o Grande Terremoto de Lisboa, ocorrido em 1755 e sobre a reconstrução da cidade, revelando ao leitor os reflexos que dele surgiram e que, em grande parte, podem ter construído muito dos dias de hoje.
Cada capítulo traz um olhar, um conteúdo e um caminho diferentes: seja pelo contrafactual, com divagações embasadas; seja por relatos de microhistória interessantíssimos ou, ainda, por um conteúdo que apresenta os reflexos do terremoto na sociedade e em sua construção, seja ela de memória, de cultura ou de registro histórico.
Como - ao que me parece - tudo que Rui Tavares escreve (ou narra), O pequeno livro do grande terremoto vem carregado de conhecimento. Haja cultura, haja pesquisa, haja consideração ao que veio antes de nós.. E, talvez mais especial, Rui agrega uma personalidade única ao texto, trazendo reflexões daquelas que fazem a gente parar de ler para refletir - e, geralmente, concordar - e, ainda, trazendo diversas conexões que só com todo esse conteúdo abordado por ele seríamos capazes de construir.
Enfim, sempre recomendo Rui Tavares, seja em podcast, jornais, entrevistas ou livros.
Seu texto é leve, rico, divertido e profundo.
Alguns destaques interessantes:
"Pois bem: nesse caso mudar o mundo é mais fácil do que mudar ideias já consolidadas e rivalidades cristalizadas".
"Russel Dynes diz que o Terremoto de 1755 foi 'a primeira catástrofe moderna': porque foi a primeira a desencadear esforços de proteção civil escalonados por ordem de prioridade pragmática e não religiosa ou simbólica e também porque foi a primeira a dar origem a uma legislação geral de prevenção e a um pensamento de conjunto para a reconstrução daquilo a que hoje se chama o ground zero."