Como muitos, comprei esse livro na empolgação de ler uma história sobre vampiros brazucas no mundo atual. Por si só essa ideia já merece mérito, bem como todos os planos e reviravoltas que acontecem no decorrer do livro. Pela trama, não há como alguém dizer que André Vianco não dispensou tempo e afinco, porém, o resultado não foi compensatório.
Muitos autores mesclam escrita formal e coloquial para melhor criar a atmosfera ou caracterizar personagens, mas Vianco não faz nem um nem outro. Sua escrita mais simples, mais coloquial é eficiente e casa bem com a proposta do livro. Contudo, às vezes escorrega para o formal sem nenhum motivo narrativo, deixando o estilo desequilibrado e depois de um tempo, enfadonho.
Os personagens tem motivações, mas são retratados de forma superficial, mesmo suas emoções sendo suficientemente integradas aos acontecimentos, parecem enlatadas e rotuladas. Um dos poucos personagens criado com um pouco mais de cuidado, Brites, quase some a partir do terceiro volume, deixando o leitor as voltas com um bando de personagens sem brilho ou empatia.
Ao fim do livro, fica-se com a impressão que foram quase mil páginas de introdução, como se O Turno da Noite fosse apenas uma nota de rodapé de alguma outra história maior.