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    As Aventuras de Simbad, o Terrestre -

    Anônimo

    Martins Fontes
    1994
    216 páginas
    7h 12m
    ISBN-10: 853360288X
    Português Brasileiro
    4
    5 avaliações
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    Sindbad, o Marujo, famoso navegador dos sete mares tinha um “duplo”, Sindbad, o Terrestre, este também um grande viajante. No entanto, o leitor ocidental conhece muito pouco, ou nada, das aventuras de Sindbad, o Terrestre. Também aqui é em direção ao Extremo Oriente que Hasane d’al Basra, dito Sindbad, o Terrestre, levará o leitor, de encantamento em encantamento, ao longo destas páginas.

    Resenhas (1)Ver mais
    Waldir Figueiredo Reccanello picture
    Waldir Figueiredo Reccanello22/02/2023Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Os muçulmanos e seu amor pela arte de contar histórias!

    E não é que as histórias realmente nos trazem dois Sindbads? Confesso que não me lembrava, mas fato é que, já no início do relato de suas mirabolantes aventuras, o velho e rico marinheiro acolhe em seu palácio um miserável carregador e, ao descobrir que ambos tem o mesmo apelido (Sindbad - o Homem da China -, sinal de que os dois viajaram pelas terras do Extremo Oriente), convida o novo amigo para, junto com ele, partilhar com os demais convidados as histórias de sua vida, tarefa na qual empenham toda a arte de que são capazes, sem economizar detalhes. === Apesar de ignoradas pelos grandes eruditos do mundo árabe por eras, "As Aventuras de Sindbad, o Terrestre" existem, foram escritas na região do atual Iraque provavelmente pelo mesmo autor anônimo que relatou as histórias do marujo homônimo, datam de algum momento entre os séculos VIII e IX, e são objeto de três antigos manuscritos da Biblioteca Nacional de Paris (n.º 3642, 3643 e 3644), os quais somente foram traduzidos para o francês - e contextualizados com inúmeras notas explicativas - nos anos de 1980, por René R. Khawam. De forma incontestável, e como acontece com a obra sua irmã gêmea, "As Aventuras..." nos remetem às cercanias da Bagdá do período áureo em que dominava a figura do califa Harun al-Rachid, um dos períodos mais brilhantes da poesia árabe, uma época de muitas riquezas e excepcional desenvolvimento técnico científico (lembrem-se que, na Europa da mesma época, as iniciativas "esclarecidas" de Carlos Magno mal conseguiam tirar o continente do limbo de barbárie em que caíra com o final do Império Romano do Ocidente). Entretanto, e apesar de partilharem o mesmo pano de fundo, as histórias dos dois viajantes (o marítimo e o terrestre) não podiam ser mais diferentes: enquanto o Marujo pauta sua vida pela busca de riquezas, pelo espírito de sucesso e vê nas mulheres um investimento, o terrestre Hasan (é esse seu nome real) é um romântico incurável que dedica às mulheres que cruzam seu caminho pensamentos de ardente erotismo, sempre tendo espaço no coração para os amigos e a família, para quem sempre retorna ao final de suas viagens. === Enfim, mais que um simples relato histórico, "As aventuras de Sindbad, o Terrestre" é uma obra ímpar, um espelho da alma do povo muçulmano e uma janela privilegiada pela qual conseguimos ver além das fronteiras orientais do mundo árabe medieval. Um livro que vale muito a pena ser lido!

    13 curtidas

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