A mais ou menos um ano eu comprei as HQs de Y The Last Man, e quase na mesma época, poucos dias depois, minha vida teve uma reviravolta daquelas bem inesperadas. Digamos que a rota para o destino final teve que ser mudada, na verdade acabei perdendo um pouco a direção, tive que verificar os danos e procurar um novo caminho.
Foi durante esse tempo de verificação que comecei a ler Y, e logo no primeiro capítulo me identifiquei muito com o personagem principal, Yorick Brown, e no mesmo capítulo já imaginava e amaldiçoava o destino da jornada dele, prevendo que provavelmente aconteceria o que aconteceu comigo. E adivinhem? Aconteceu.
Em uma série de eletrizantes reviravoltas, cada virada de página desta obra nos promete, e nos dá, uma surpresa. Tudo pode acontecer aqui, e cada fim de capítulo mais parece aquele episódio de final de temporada, daquela série de sucesso que gostamos, nos fazendo ficar ansiosos para saber o que vai acontecer.
Como o próprio nome já diz, Yorick é o último homem do planeta, vivendo em um mundo governado por mulheres, algumas perdidas com a morte de todos os homens que amavam, outras louvando a Mãe Natureza por ter extirpado a semente venenosa da Terra, enquanto outras apenas esperam sobreviver em um mundo mergulhado no caos.
Apesar de o protagonismo ser dado a Yorick, acredito que o foco das HQs acaba colocando as mulheres em uma posição de destaque, e aqui temos grandes personagens femininas, como a agente 355, a Drª Alisson, Hero e tantas outras com temperamentos bastante diferentes, mas igualmente interessantes.
O nosso Y não é aquele homem confiante, aquele galã sabe tudo, nem mesmo o mais bem sucedido e inteligente. Yorick é ingênuo, brincalhão, um nerd de primeira categoria, e acima de tudo, tem um bom coração. Por conta da sua personalidade ele acaba se metendo em muitos problemas durante a sua jornada, essa que é saber o motivo dele ter sobrevivido ao que matou todos os mamíferos com o cromossomo Y, além é claro, de reencontrar sua namorada que está, literalmente, do outro lado do mundo.
Após muitas revelações, perseguições implacáveis, várias referências a cultura pop e boas gargalhadas, temos aqui o desfecho desta brilhante epopeia, que acabou não agradando muitos leitores, mas para mim foi uma grata surpresa, como já podia esperar de uma série que não cansou de me surpreender.
Digamos que Yorick, que passa a história inteira seguindo seu coração, acaba percebendo que no fim não importa o objetivo, mas sim quem te acompanha até o final. Dessa maneira há uma grande virada na narrativa, que logo após é superada por uma virada ainda maior e TOTALMENTE inesperada hahaha. O autor realmente brinca com nossas expectativas.
Como já disse me identifiquei com o protagonista desde o início e realmente me deixou um pouco triste a conclusão da sua história, o desfecho de alguém com o coração tão bom. Mas, como a própria doutora Alisson adverte Corações grandes são fracos e frágeis, e apesar de tudo, no fim, Yorick termina sua saga com seu bom humor e uma fuga digna da sua maestria como escapista.
E é isso. Não é porque não temos o final que esperávamos ter, que não teremos um final feliz. Esta é uma grande lição que Y me trouxe, e que guardarei comigo para sempre.