A história começa quando Seu João pau-d’água teve seu barraco levado por uma grande ventania, fazendo com que ele e sua família, sem outro lugar para morar, acampassem na rua mesmo, em pleno inverno de temperaturas abaixo de zero. Como grande folgado que era, Seu João só saía para procurar moradia de tarde, sem obter sucesso.
Seu Godói, patrão de Seu João, conseguiu convencê-lo a ir morar no banhado que ele estava planejando lotear há muito tempo; ele até facilitou o pagamento do lote e das madeiras para o barraco em muitas vezes. Sem muitas opções e com medo de ser preso pela polícia por estar morando na rua, Seu João mudou com a família para o banhado que ele mesmo deu o nome de Vila Prosperidade.
Conforme os aluguéis subiam na região, outras pessoas foram mudando para o banhado, e barracos novos eram levantados todos os dias, inclusive em outros banhados ali perto. Os adultos levavam uma vida miserável, sem conforto algum, todavia, davam graças de não estarem na rua e ao menos terem um teto para morar.
A mulher de Seu João, doentia e muito fraca que era, não resistiu à friagem do lugar, falecendo logo após o primeiro mês em que haviam mudado para o lugar. Bete, sua filha de 8 anos, assumiu então os afazeres domésticos e os cuidados com os irmãos mais novos Sete (Setembrina) de 6 anos e Pulguinha (Pulquério) de apenas 2 anos, que de tão raquítico, parecia ainda uma criança de colo, mas com uma barriga avantajada de gente grande.
A falta de lenha de sempre fazia com que a pobre Bete pegasse madeira soltas das cercas dos outros para cozinhar e aquecer os irmãos; até rãs congeladas ela pegou certa vez, pensando se tratarem de cascas de madeira da vizinha…
O banhado tinha uma única bica d’água, e dela não saía mais do que um fiozinho de água. Nela, todos moradores pegavam água várias vezes ao dia.
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