Tudo o que um YA distópico deveria ser.
A brasileira Veronica Rossi construiu um enredo distópico interessante, admirável e assustador. A estória é narrada por dois personagens, Aria e Perry. Ambos possuem vivencias completamente diferentes. Aria reside no domínio de Raverie,um universo altamente tecnológico,onde as pessoas não adoecem,não se apaixonam e a procriação é feita em laboratório. Sentir alguma coisa é quase impossível, seja dor ou afeto. Quando sua mãe – uma talentosa médica – viaja a trabalho e desaparece, ela resolve descobrir por si mesma o que está acontecendo. Sua busca a leva a um universo completamente adverso, onde a dor é constante. Sem as barreiras da tecnologia, Aria se torna cada vez mais humana. Perry sempre viveu na área selvagem, um exímio caçador, ele acaba tropeçando em Aria. Ambos procuram pessoas amadas, ambos estão dispostos a qualquer coisa para reaver seus entes queridos. Juntos eles formam um estranho quebra-cabeças, opostos complementares. Existe uma tempestade vindo atrás deles, a tempestade de energia que quase destruiu o universo, mas a maior delas,está ocorrendo dentro de seus corações. Nenhuma tempestade é tão devastadora quanto a paixão.
Eu li “Under the Never Sky” em menos de dois dias. O ritmo da narrativa é bem construído, Perry e Aria são protagonistas atraentes. Ela é vulnerável, mas corajosa. Ele é forte, mas capaz de ternura. Faz bastante tempo que eu não encontro um casal tão intenso, juntos eles formam uma imagem potente na trama. Algumas cenas me causaram arrepios e mesmo depois de terminar a leitura, eu continuei refletindo sobre o universo descrito no livro. É verdadeiramente assustador.
O aspecto negativo do livro é que alguns detalhes sobre a estrutura política - a mecânica do cenário onde a autora esboça seu enredo – ficaram em branco. A sensação que tive é que Veronica evitou ao máximo revelar os pontos chaves da estória. A trama em si é tão boa, tão empolgante, que esse detalhe quase passa despercebido. Mas não posso negar que me senti incomodada, tateando no escuro em grande parte do livro. A autora é estreante, conseqüentemente, pode ser que ela tenha cometido esse deslize por inexperiência. Contudo,ela pode estar deliberadamente segurando informações para o segundo livro da série. Veremos...
O romance é de acelerar o coração, sem fazer com que os olhos do leitor rolem de tédio. Não há uma gota de açúcar a mais entre Aria e Perry. A princípio eles têm grande dificuldade de entender um ao outro, ambos se conquistam aos poucos, ganhando a confiança e o afeto conforme a necessidade. Sabe aquela palavra com “s” – sim – sexo? Acontece no livro. De uma forma tão absolutamente linda que eu precisava mencionar. Perry e Aria juntos aceleram a pressão arterial dos leitores.
“Under the Never Sky” é tudo o que um YA distópico deveria ser. Narrativa, enredo, romance, originalidade.Surpreendente. Mal posso esperar para vê-lo nas livrarias brasileiras.