Vicente Franz Cecim nasceu em Belém do Pará. Desde A asa e a serpente (1979) que transfigura a sua região natural, a Amazónia, em Andara: uma região onírica, um território metafórico, onde ambienta todos os seus livros. Viagem a Andara, o livro invisível, o volume em que reuniu os primeiros 7 livros de Andara, recebeu o Grande Prémio da Crítica, da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1988. Na decáda de 80, o Grande Prêmio só foi também atribuído a Cora Coralina, Mário Quintana e Hilda Hilst. Neste ano de 2001, a invenção de Andara completa vinte e dois anos. No caldeirão de um escrita em absoluta liberdade, na qual a literatura se irmana à alquimia, abolem-se as fronteiras entre a prosa e a poesia, funde-se o natural com o sobrenatural e o profano incorpora o sagrado – lançando-se numa intensa busca metafísico do sentido do ser e da vida. Como diz Cecim, os livros de Andara são literatura fantasma: corpo de um sonho que se sonha. A História Em Andara, é quando os homens esperam um anoitecer mais calmo que vêm as noites da vida nos lançar pedras de sombras e asas de areia vêm nos açoitar. Sendo assim Andara: ó ser de espanto, ó ser despanto, ó serdespanto. Passando, pois, aquele homem a se chamar assim Serdespanto. Pois esse o nome que lhe deram quando ele nas- Céu, diz-se disso, a mãe, essa que denomina uma parte de si que sai de si aqui para fora, humanamente, para ser outro ser. Um outro espanto isso, deve-se reconhecer com melancolias, resignações, suspiros. Isso de nascer Em Andara, pois. Mais um tendo vindo.






