Em “Estrela da Noite”, Ever, a protagonista problemática enfrenta as conseqüências dos últimos acontecimentos do livro anterior (Chama Negra). Haven, sua antiga amiga, a culpa pela morte de Roman, e Damien parece esconder algo vital sobre suas vidas passadas. Os leitores também acompanham o relacionamento cada vez mais conflitante entre Ever e sua tia, que não aceita o “dom” de sua sobrinha, e vemos um pouco mais sobre Jude.
A minha opinião sobre o trabalho de Alyson Noël já está formada há um longo tempo. Eu sei que não me identifico com a protagonista, que o texto e estilo narrativo da autora não me agradam e que o pseudo romance da estória não passa disso... P-S-E-U-D-O. Fraudulento, falso, sem autenticidade. Por que continuar insistindo na leitura? Primeiro por que muitos seguidores são afeiçoados à série, e acho que eles têm o direito de saber a minha opinião. E segundo, por que ainda tenho a ilusão de descobrir que me enganei e que a autora tinha um objetivo maior para a trama. Não crio mais expectativas, contudo resolvi avaliar friamente este novo capítulo da série.
A princípio, me interessei bastante pela ideia e conceito que a autora desenvolveu sobre as auras e os Imortais, entretanto, a forma como ela constrói e estrutura o enredo é confusa e seu texto fragmentado. A trama gira sempre em torno dos mesmos conflitos. Era de se esperar que após cinco livros, o conteúdo da série já houvesse sido parcialmente concluído. Infelizmente, a “futilidade” de toda a estória (que acaba sempre se tratando da desconfiança de Ever em relação à Damen) é deprimente. A prosa de Alyson Noël não possui coesão, seus personagens não são carismáticos e sua trama não desenvolve.
Ever não amadurece. Já perdi minhas esperanças neste sentido. Apesar de ser uma paranormal poderosa, a personagem não evolui. Ela continua agindo como uma adolescente birrenta, revoltada e impulsiva à beira da insanidade. Fico em dúvida se essa imaturidade imutável de Ever é um detalhe premeditado pela autora ou se Alyson Noël falha na caracterização de suas personagens por pura incompetência.
Os diálogos entre as rivais, Ever e Haven, chegam ao extremo do ridículo. Ambas parecem duas menininhas brigando pelo mesmo brinquedo, para ver quem é melhor, uma disputa sem fim para saber quem faz o papel mais patético. Pode parecer uma análise dura e deliberadamente hostil, mas a minha revolta com a superficialidade das personagens é grande demais. Todos possuem defeitos que me repelem profundamente. Egoísmo, crueldade, inveja, intolerância. E eu não consigo encontrar qualidades que possam redimi-los. Pode ser que o trunfo da autora esteja justamente nessa revolta que ela causa em seus leitores, não posso negar que somos manipulados e compelidos pela estória. É uma forma brutal de se conquistar leitores, mas consigo enxergar o marketing por trás da ideia.
Acredito que até os maiores fãs da série assumiriam que a estória é uma enrolação sem fim. Alyson Noël está claramente perdida no universo que criou. Acho, sinceramente, que ela possui grande talento para escrever livros adolescentes ambientados no meio escolar, com intrigas e crueldades femininas. Mas como escritora de romance e fantasia, ela peca e peca feio. Agora, basta esperarmos para conferir o quê a autora guardou para o grand finale em “Infinito”, o sexto e último livro da série.
Será que ela será capaz de aparar todas as arestas e preencher os vazios que deixou nos últimos cinco livros da série?